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Goiano transforma sonho de uma década em realidade e parte a pé rumo ao Alasca em expedição histórica

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Após cruzar o Brasil e parte da América do Sul de bicicleta durante mais de 600 dias, o aventureiro goiano Fábio Santos, conhecido nas redes sociais como Aventuras do Formiga, decidiu elevar ainda mais o nível de seus desafios. Em março deste ano, ele deixou Hidrolândia, na Região Metropolitana de Goiânia, caminhando rumo ao Alasca, em uma expedição de aproximadamente 24 mil km que deverá durar cerca de três anos.

Mas, segundo o próprio viajante, a missão vai muito além de alcançar o extremo norte do continente americano. O verdadeiro objetivo da jornada é registrar histórias e conexões humanas construídas ao longo do caminho.

“Eu acho que vou contar a história das pessoas que estiveram pelo caminho e me estenderam a mão”, afirmou ao Mais Goiás.

A paixão por aventuras acompanha Fábio desde a infância. A inspiração surgiu ao ouvir os relatos de um vizinho alemão chamado Willy, que costumava percorrer o Brasil de bicicleta e compartilhar suas experiências.

“Sempre fui aventureiro. Eu adorava ouvir as histórias dele e conhecer o mundo através daquelas aventuras. Foi ali que nasceu esse sonho”, relembra.

A primeira expedição aconteceu aos 17 anos, quando pedalou até Blumenau e Curitiba. Com o passar dos anos, novas jornadas o levaram a destinos como a Amazônia, Corumbá, a Chapada Diamantina e a Chapada dos Veadeiros, até que viajar deixou de ser apenas um hobby para se tornar um estilo de vida.

O sonho que nasceu há mais de uma década

Em 2010, Fábio realizou uma das aventuras mais marcantes de sua trajetória. A bordo de uma bicicleta, percorreu a Amazônia, atravessou a Bolívia e chegou até Ushuaia, na Argentina, considerada a cidade mais austral do planeta. O percurso, inicialmente planejado para durar um ano, acabou se estendendo por 623 dias.

“Quando voltei, fiquei pensando: se em 623 dias eu cheguei ao Ushuaia, onde eu chegaria se tivesse mil dias? Foi aí que nasceu a ideia do Alasca”, contou.

Apesar de idealizado há mais de dez anos, o projeto somente começou a ganhar forma recentemente. Para viabilizar a expedição, o aventureiro reorganizou completamente a vida pessoal, vendeu um sítio que possuía em São Paulo e mudou sua base para Hidrolândia, onde passou a viver próximo da mãe.

“Ser aventureiro é meu estilo de vida. Meu trabalho sempre viabilizou essas viagens e a ideia nunca saiu da minha cabeça nem do meu coração”, destacou.

Mais de mil quilômetros percorridos e uma legião de apoiadores

A caminhada teve início em 26 de março e passou a ser acompanhada diariamente por mais de 190 mil seguidores nas redes sociais. Ao longo do trajeto, Formiga compartilha paisagens, desafios e, principalmente, histórias das pessoas que encontra pelo caminho.

Segundo ele, a decisão de seguir a pé tem relação direta com o desejo de viver experiências mais profundas.

“Eu queria ir mais devagar. De bicicleta eu fazia 150 quilômetros por dia. A pé eu preciso conversar com as pessoas, preciso delas. Essa proximidade é um dos maiores motivos da minha viagem”, explicou.

A repercussão da aventura surpreendeu o viajante. O que ele imaginava ser apenas uma caminhada solitária se transformou em uma grande rede de apoio espalhada por diferentes regiões.

“Formou-se uma corrente de apoio muito bonita. Eu sinto que não estou caminhando sozinho. Tem muita gente fazendo parte dessa viagem comigo”, disse.

Primeira etapa internacional já começou

Após percorrer mais de mil quilômetros desde a saída de Goiás, Fábio chegou a Cáceres, no Mato Grosso, uma das últimas cidades brasileiras antes da fronteira. Pouco depois, atravessou para a Bolívia, iniciando oficialmente a etapa internacional da expedição.

Atualmente, ele está em San Martín, onde faz uma breve pausa antes de retomar a caminhada.

“Estou em San Martín, na Bolívia. Vou ficar aqui até amanhã. Na verdade, sigo com a caminhada na segunda-feira”, informou.

De acordo com o aventureiro, a recepção encontrada em território boliviano tem sido tão calorosa quanto a recebida durante a passagem pelo Brasil. Seguidores e moradores locais já se mobilizaram para oferecer hospedagem, apoio logístico e incentivo.

“Parece que o Brasil inteiro me deu um abraço e falou: vai lá, estamos com você. Agora estou vendo esse mesmo carinho acontecer em outros lugares e isso é muito especial”, relatou.

A rota prevê a passagem por diversas cidades bolivianas antes da entrada no Peru. Na sequência, a caminhada seguirá rumo ao norte do continente até alcançar o Alasca.

Embora a chegada ao destino final represente a concretização de um sonho cultivado por anos, Fábio acredita que o maior legado da jornada será construído durante o percurso.

“Uma vez me perguntaram qual história eu queria contar quando voltasse. Hoje eu tenho certeza de que vou contar a história das pessoas que encontrei pelo caminho. São elas que vão marcar essa viagem para sempre”, concluiu.

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