A crise interna envolvendo a família Bolsonaro ganhou novos capítulos nesta quinta-feira após o senador Flávio Bolsonaro (PL) publicar um pedido público de desculpas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A manifestação ocorre depois de Michelle divulgar vídeos nas redes sociais afirmando ter sido “desrespeitada”, “maltratada” e “humilhada” pelo senador em meio a divergências políticas relacionadas às articulações eleitorais para 2026.
Em publicação nas redes sociais, Flávio afirmou que jamais teve a intenção de ofender Michelle e reforçou o respeito que nutre pela ex-primeira-dama.
“Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas. Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo o que representa para o Brasil”, escreveu.
O senador também destacou que nunca desrespeitou mulheres e negou as acusações feitas pela esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Sou casado há 16 anos, pai de duas filhas maravilhosas e nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na minha vida. Jamais o faria com a esposa do meu próprio pai”, declarou.
Segundo Flávio, a família enfrenta um período delicado diante da situação política e jurídica de Jair Bolsonaro. Ele afirmou compreender a angústia de Michelle ao acompanhar diariamente o sofrimento do ex-presidente e revelou ter tentado uma reaproximação antes da divulgação dos vídeos.

“Hoje (quarta) pela manhã, eu mesmo fiz questão de ligar para Michelle e convidá-la, pessoalmente. Fiz mais um gesto não correspondido. Não atendeu. Deixei mensagem. Também não retornou. Para minha surpresa, na tarde de hoje ela publicou o vídeo”, afirmou, acrescentando que mantém um convite “de coração aberto” para que Michelle participe de uma reunião com lideranças femininas marcada para a próxima quarta-feira, em Brasília.
Michelle relata mágoa e diz que foi tratada com rispidez
Nos vídeos divulgados em suas redes sociais, Michelle Bolsonaro afirmou que não conversa com Flávio desde o fim de 2025. Segundo ela, o conflito teve início após divergências envolvendo decisões estratégicas do Partido Liberal e alianças para as eleições de 2026.
“Telefonei para ele, tentei algumas vezes, mas ele não atendeu. Algumas horas depois da postagem, ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou o telefone. E eu não tinha feito nada contra ele”, relatou.
A ex-primeira-dama afirmou ainda que ouviu do senador que deveria se afastar das decisões partidárias.
“Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço”.
Ao longo do pronunciamento, Michelle se refere a Flávio como “meu enteado” e “pré-candidato”, sem utilizar o sobrenome Bolsonaro.
Ceará se tornou epicentro da divergência
O principal foco do desentendimento envolve a articulação política do PL no Ceará. Michelle criticou publicamente a tentativa de aproximação do partido com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), que é pré-candidato ao governo estadual e já fez duras críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seus filhos.
Durante um evento em Fortaleza, no ano passado, Michelle classificou como precipitada a construção da aliança.
“É sobre isso. É sobre essa aliança que vocês se precipitaram a fazer. Eu tenho orgulho de vocês, mas fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita, assim não dá”, declarou na ocasião.
A ex-primeira-dama também afirmou que Ciro Gomes teve papel importante no processo que resultou na inelegibilidade de Jair Bolsonaro e relembrou declarações do ex-governador contra a família.
Outro ponto de tensão é a disputa pela vaga ao Senado no Ceará. Michelle apoia a deputada federal Priscila Costa (PL), enquanto lideranças ligadas ao deputado André Fernandes defendem a candidatura do deputado estadual Alcides Fernandes.
Pressão por apoio à pré-candidatura de Flávio
Michelle também negou rumores de que estaria condicionando seu apoio à eventual candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro a um pedido público de desculpas.
“Eu nunca pedi, cobrei ou condicionei desculpas públicas de ninguém. Não preciso disso. Eu já liberei o perdão faz muito tempo”, afirmou.
Em outro trecho, sem citar nomes diretamente, a ex-primeira-dama disse ser alvo constante de ataques de pessoas que vivem no exterior e afirmou que sua filha Laura tem sofrido com a repercussão das críticas.
“Fazem postagens e vídeos retirando do meu nome o sobrenome Bolsonaro, na tentativa de me atingir. Não me atingem, eu sei quem eu e o meu marido somos. Mas será que eles pensam no que estão provocando na vida da minha filha? Ela é uma adolescente que acompanha tudo, que lê tudo e que sente tudo.”
Apesar do pedido público de desculpas feito por Flávio Bolsonaro, a troca de declarações evidencia uma das mais graves crises já expostas dentro do núcleo político e familiar dos Bolsonaro, justamente em um momento de intensas articulações para a disputa eleitoral de 2026.











