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Folha de Notícias

Flávio Bolsonaro articula possível entrada do Bank of America no Banco do Brasil, diz jornal

Uma possível associação entre o Banco do Brasil e o banco norte-americano Bank of America estaria sendo discutida por aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo reportagem publicada pelo Jornal do Brasil na quinta-feira (22). A proposta envolveria a venda de uma participação relevante da instituição brasileira ao grupo financeiro dos Estados Unidos, em uma operação que poderia ampliar a influência estrangeira sobre as decisões estratégicas do banco público.

De acordo com o Jornal do Brasil, as conversas envolveriam principalmente Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que estaria mantendo contato com interlocutores do governo norte-americano sobre a possibilidade de participação do Bank of America no capital do Banco do Brasil. A publicação atribui a informação a uma fonte ligada à campanha eleitoral.

A operação, conforme o relato, teria dois objetivos principais: atrair capital privado para a instituição brasileira e estreitar as relações econômicas com os Estados Unidos, inclusive com a administração do presidente Donald Trump.

A proposta, entretanto, não representa uma venda já concretizada. Até o momento, não há confirmação pública de acordo firmado entre as instituições, e os detalhes da suposta negociação não foram apresentados oficialmente.

Banco do Brasil poderia manter controle estatal

Segundo a reportagem, a operação estudada não exigiria necessariamente a privatização integral do Banco do Brasil. O modelo permitiria a entrada do Bank of America como acionista minoritário, enquanto a União permaneceria no controle da instituição.

A publicação afirma que a estrutura societária atual é um dos principais obstáculos para a operação. O governo federal detém 50% mais uma ação do Banco do Brasil, mantendo a maioria do capital votante. Uma eventual venda de participação precisaria respeitar essa estrutura ou envolver mudanças societárias compatíveis com a legislação.

Ainda segundo o jornal, a proposta poderia conceder ao banco norte-americano participação nas decisões estratégicas, inclusive por meio de assento no conselho de administração. O alcance dessa eventual influência, porém, dependeria dos termos de uma negociação que ainda não foi oficialmente confirmada.

Na prática, a operação seria diferente de uma privatização integral, mas poderia ampliar a presença de capital estrangeiro em uma instituição financeira estratégica para o país.

Aproximação com os Estados Unidos estaria entre os objetivos

A reportagem aponta que a possível associação também teria motivação geopolítica. Aliados de Flávio Bolsonaro enxergariam a entrada de um grande banco norte-americano na estrutura acionária do Banco do Brasil como uma oportunidade de aprofundar as relações econômicas entre Brasília e Washington.

A iniciativa poderia abrir espaço para maior cooperação em áreas como financiamento de exportações, infraestrutura, câmbio e mercado de capitais.

O movimento também poderia fortalecer a aproximação política da família Bolsonaro com Donald Trump. Segundo a publicação, a operação seria vista como uma forma de estabelecer vínculos econômicos concretos entre os dois países, para além das relações políticas.

Esses objetivos, contudo, são atribuídos pelo Jornal do Brasil aos interlocutores ouvidos na reportagem. Não há confirmação oficial de que o governo dos Estados Unidos ou o Bank of America tenham assumido compromisso com a proposta.

Proposta contrasta com declarações anteriores da campanha

A possibilidade de participação estrangeira no Banco do Brasil surge em meio a sinais divergentes sobre o futuro das empresas estatais em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.

Em setembro, Daniella Marques, apontada como integrante da equipe econômica do senador, defendeu a possibilidade de privatização de empresas públicas e mencionou o Banco do Brasil entre as instituições cuja estrutura poderia ser reavaliada.

Posteriormente, em 8 de outubro, Adolfo Sachsida, coordenador econômico da campanha, afirmou que um eventual governo de Flávio não privatizaria o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e a Petrobras. O próprio senador também havia negado a intenção de vender algumas dessas empresas, conforme noticiado pela imprensa.

A hipótese de uma associação com o Bank of America introduz uma diferença importante nesse debate: a entrada de um acionista privado estrangeiro poderia ocorrer sem que a União necessariamente perdesse o controle acionário.

Não está esclarecido, porém, se a proposta relatada pelo Jornal do Brasil representa uma mudança na posição da campanha ou se existe uma definição formal sobre o assunto.

O que falta esclarecer

A possível operação ainda depende de informações fundamentais para que seu alcance possa ser avaliado com precisão. Entre elas estão o percentual de participação que seria oferecido ao banco norte-americano, o valor da transação, os direitos societários envolvidos e as condições para preservar o controle da União.

Também não há confirmação pública de que o Bank of America tenha apresentado uma proposta formal ou de que os órgãos responsáveis dos dois países estejam conduzindo negociações oficiais.

Até que esses pontos sejam esclarecidos, a hipótese deve ser tratada como uma articulação relatada pela imprensa, e não como uma decisão tomada ou uma privatização em andamento.

O debate, ainda assim, coloca em evidência uma questão relevante para a economia brasileira: até que ponto a entrada de capital estrangeiro em um banco público estratégico poderia contribuir para os negócios da instituição sem reduzir a autonomia nacional sobre suas decisões?

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