Uma organização criminosa que utilizava integrantes se passando por delegado e policial para enganar vítimas foi denunciada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) por aplicar um golpe de R$ 165 mil contra uma idosa de 75 anos, em Goiânia. Conforme a denúncia, os suspeitos convenceram a vítima de que o gerente da agência bancária onde ela mantinha conta estava sendo investigado por fraudes financeiras e que, para proteger seu patrimônio, seria necessário transferir o dinheiro para outras contas indicadas pelo grupo.
Além dos crimes de estelionato mediante fraude eletrônica e associação criminosa, o juiz Alessandro Pereira Pacheco, ao receber a denúncia no último dia 17 de agosto, apontou que também foram constatados indícios dos crimes de lavagem de dinheiro e falsidade documental.
De acordo com o inquérito policial reproduzido na denúncia do MPGO, o primeiro contato ocorreu em 30 de setembro de 2024, quando um dos criminosos telefonou para a vítima afirmando ser delegado da Polícia Civil. Durante a ligação, ele alegou que o gerente da instituição financeira onde a idosa era correntista estava sendo investigado por fraudes e que seria necessário agir rapidamente para proteger os valores depositados em sua conta.
Dois dias depois, em 2 de outubro, o falso delegado voltou a entrar em contato e convenceu a idosa a transferir R$ 45 mil para uma conta em nome de Fernando César Araújo Athenesi. Na sequência, o criminoso realizou uma nova ligação e solicitou outra transferência, desta vez de R$ 70 mil.
Segundo a investigação, o prejuízo ainda poderia ter sido maior. No dia seguinte, foi realizado um empréstimo de R$ 47.585,35 em nome da vítima, embora o dinheiro não tenha sido sacado. Na mesma data, também foi efetuada uma nova transferência de R$ 3 mil da conta da idosa.
Foram denunciados Baltazar José Pinheiro Junior, Brenno Almeida dos Santos, Rafael Ornelas da Cruz, Nathália Cristina dos Santos Fernandes, Fernando César Araújo Athenesi, Wendrel Alexandre Teodoro dos Santos e Vagner Daniel Gomes.
As investigações apontam que Vagner Daniel era o integrante responsável por se apresentar como delegado durante os contatos telefônicos, enquanto Nathália Cristina fingia ser policial. Baltazar atuava como motorista, transportando Nathália até a residência da vítima. Já Brenno, conforme a Polícia Civil, exercia a função de “captador de informações”, obtendo dados de delegacias e das vítimas para conferir credibilidade ao golpe.
Ainda segundo a denúncia, Rafael Ornelas integrava o núcleo financeiro da organização criminosa, sendo responsável por administrar as contas digitais que recebiam os valores desviados e por conduzir o processo de lavagem de dinheiro. Os recursos eram pulverizados para diversas contas em nome de Fernando César e também de Wendrel Alexandre.
Na decisão judicial, consta que, até o dia 13 de agosto, Baltazar, Rafael, Nathália e Vagner Daniel permaneciam presos preventivamente. Brenno, Fernando e Wendrel eram considerados foragidos. Apesar disso, o magistrado manteve a prisão preventiva decretada contra todos os denunciados.
Durante entrevista à TV Anhanguera, a delegada Lara Soares Françoso de Castro reforçou que a Polícia Civil jamais solicita que cidadãos realizem movimentações bancárias por telefone.
“É importante ressaltar que a polícia não entra em contato com vítimas para que elas façam operações bancárias. Se a polícia entra em contato, é apenas para intimar, para que a vítima compareça à delegacia, para prestar depoimento”, afirmou.
A delegada também informou que as investigações continuarão mesmo após a conclusão do inquérito. Segundo ela, os aparelhos eletrônicos apreendidos serão periciados para identificar possíveis novas vítimas e aprofundar a apuração financeira.
“E também analisar a questão da lavagem de dinheiro dessas contas em que foram pulverizados os valores”, disse.
As autoridades orientam que qualquer ligação em que alguém se apresente como policial ou delegado solicitando transferências bancárias seja tratada com desconfiança. Em casos semelhantes, a recomendação é interromper imediatamente o contato e procurar diretamente uma delegacia ou a instituição bancária.











