O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou, na madrugada desta segunda-feira (26), um vídeo em inglês no qual questiona o resultado do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras e pede que a comunidade internacional não reconheça a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre seu irmão, Flávio Bolsonaro (PL).
Na gravação, Eduardo afirma que a mudança no desempenho dos candidatos entre o primeiro e o segundo turno seria “estatisticamente impossível”. Para sustentar o argumento, ele compara a votação obtida pelos dois concorrentes nas duas etapas e questiona como Lula conseguiu ampliar sua quantidade de votos.
“Esta é uma mensagem para vocês: não reconheçam estas eleições”, declarou o ex-deputado, em tradução para o português. Ele também defendeu a anulação da votação e pediu que o vídeo fosse compartilhado para ampliar a pressão internacional sobre o Brasil.
Resultado nas urnas
De acordo com os dados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, correspondentes a 48,21%. A diferença entre os candidatos foi de 4.430.191 votos.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio havia recebido 56.104.268 votos, enquanto Lula obteve 53.876.617. No segundo turno, os dois candidatos ampliaram suas votações.
A comparação entre os turnos, porém, não demonstra, por si só, irregularidade eleitoral. Os votos dos candidatos eliminados no primeiro turno não são transferidos automaticamente para outros concorrentes. Os eleitores podem mudar de escolha, deixar de comparecer às urnas ou votar em branco ou nulo.
Contestação e pedido de anulação
A manifestação de Eduardo ocorreu depois que Flávio Bolsonaro anunciou que não reconheceria o resultado e que sua equipe jurídica pediria a anulação da eleição. Entre os pontos questionados pelo senador está a decisão judicial que prorrogou o horário de votação até as 19h nas seções que ainda não haviam encerrado os trabalhos.
As campanhas de Lula e Flávio haviam solicitado a ampliação do horário, mas apresentaram justificativas diferentes. A campanha petista apontou dificuldades no transporte público, enquanto a campanha do PL citou problemas relacionados às chuvas em determinados municípios.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que as dificuldades operacionais decorrentes da prorrogação não alteraram a apuração dos votos. A Corte também contestou a alegação de que fiscais do PL teriam sido retirados da sala-cofre, informando que representantes do partido acompanharam procedimentos eleitorais em áreas autorizadas.










