O dólar fechou em forte queda nesta terça-feira (5), atingindo o menor valor de encerramento em mais de dois anos, em um dia marcado por otimismo nos mercados globais, apesar das incertezas geopolíticas envolvendo o Oriente Médio. No mesmo cenário, o Ibovespa registrou alta, impulsionado por resultados corporativos acima das expectativas.
A moeda norte-americana encerrou o dia com recuo de 1,12%, cotada a R$ 4,9123 na venda, o menor patamar desde 26 de janeiro de 2024. No acumulado de 2026, o dólar já registra desvalorização de 10,51% frente ao real, refletindo o fluxo positivo para ativos de risco e o apetite de investidores por mercados emergentes.
Na bolsa brasileira, o Ibovespa subiu 0,62%, fechando aos 186.753,82 pontos. O desempenho foi puxado, principalmente, pelas ações da Ambev, que dispararam após a divulgação de um resultado trimestral acima do esperado. O pregão foi marcado ainda pela repercussão de balanços corporativos, que ajudaram a sustentar o viés positivo do índice.
Apesar do clima favorável, investidores mantiveram cautela diante da escalada de tensões no Oriente Médio. A disputa entre Estados Unidos e Irã pelo controle do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo, segue no radar, mesmo com declarações do secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, de que o cessar-fogo com o Irã ainda está em vigor, apesar de confrontos recentes no Golfo.
No campo doméstico, o mercado também analisou a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada após a redução da taxa Selic para 14,50% ao ano. O documento alerta que a continuidade do conflito no Irã pode gerar impactos duradouros na economia global e já representa risco para a inflação no Brasil, especialmente ao afetar as expectativas do mercado.
Para economistas do Bradesco, a ata trouxe um tom considerado sereno. Em avaliação, “as poucas mudanças sugerem que o Banco Central está confiante na eficácia da política monetária restritiva”. A instituição projeta o fim do conflito ainda neste trimestre, o que poderia permitir a continuidade do ciclo de ajustes na taxa de juros. A estimativa é que a Selic encerre o ano em 12,75%.
No cenário internacional, o petróleo fechou em queda, mesmo diante das tensões no Golfo, indicando que o mercado ainda avalia os desdobramentos do conflito e seus possíveis efeitos sobre a oferta global da commodity.











