A doença renal crônica pode comprometer significativamente a saúde sem apresentar sinais evidentes nos estágios iniciais. Muitas pessoas convivem com alterações na função dos rins sem perceber, até que o problema esteja mais avançado. Por isso, a realização de exames periódicos é fundamental para identificar precocemente a condição e iniciar o tratamento adequado.
O médico Dr. Bruno Nogueira Cesar, especialista em Clínica Médica e Nefrologia, explica que os primeiros sinais da doença geralmente aparecem nos exames de sangue e urina, antes mesmo de o paciente apresentar sintomas. Quando manifestações como inchaço, cansaço, náuseas e mal-estar se tornam frequentes, a função renal já pode estar bastante comprometida.
“A doença renal crônica costuma ser silenciosa porque, nos estágios iniciais, geralmente não provoca sintomas. As primeiras alterações podem aparecer apenas nos exames de sangue e urina”, alerta o especialista.
Entre os principais fatores de risco estão o diabetes e a hipertensão arterial, doenças que podem provocar danos progressivos às estruturas responsáveis pela filtragem do sangue. A pressão alta pode lesionar os pequenos vasos sanguíneos dos rins, enquanto o diabetes pode comprometer os filtros renais, favorecendo a perda de proteínas pela urina e a redução gradual da função renal.
Além dessas condições, doenças cardiovasculares, obesidade, idade avançada, histórico familiar de doença renal e episódios anteriores de lesão renal aguda também aumentam o risco. O uso frequente de medicamentos potencialmente prejudiciais aos rins, especialmente anti-inflamatórios, merece atenção.
Exames simples podem identificar alterações precocemente
Um dos principais desafios no diagnóstico da doença renal crônica é que uma pessoa pode perder uma parcela significativa da função dos rins sem apresentar sintomas perceptíveis. Segundo o nefrologista, as manifestações clínicas tendem a se tornar mais frequentes quando a doença chega ao estágio 4, embora possam aparecer antes ou permanecer ausentes mesmo em fases avançadas.
Para avaliar a saúde renal, dois exames são especialmente importantes: a creatinina no sangue, utilizada para estimar a taxa de filtração dos rins, e a pesquisa de albumina na urina, que pode identificar sinais de lesão renal mesmo quando a filtração ainda está preservada.
Pessoas com diabetes, hipertensão, obesidade, idade avançada ou histórico familiar de doença renal devem ter atenção especial ao acompanhamento médico. O mesmo vale para quem utiliza anti-inflamatórios com frequência ou faz uso de outros medicamentos que possam afetar os rins.
Embora alguns sinais possam indicar comprometimento renal, eles nem sempre são específicos. Inchaço, sangue na urina, espuma persistente, diminuição do volume urinário e pressão arterial elevada são manifestações que merecem avaliação. Em fases mais avançadas, também podem ocorrer coceira, sonolência e confusão mental.
A presença desses sintomas, isoladamente, não confirma o diagnóstico. Por isso, a investigação médica e a realização dos exames adequados são essenciais.
Diagnóstico precoce pode adiar a necessidade de diálise
Apesar dos riscos, receber o diagnóstico de doença renal crônica não significa necessariamente que o paciente precisará de diálise. O acompanhamento adequado pode desacelerar a progressão da doença e, em muitos casos, preservar a função renal por mais tempo.
“Essa é uma das grandes funções do nefrologista: investigar, acompanhar e tratar para desacelerar a perda da função renal. Na última década, surgiram importantes opções de tratamento que permitem a muitos pacientes ganhar anos sem diálise e, em alguns casos, nem precisar dela”, explica Dr. Bruno.
O tratamento depende da causa da doença, do estágio em que ela se encontra e das condições de saúde de cada paciente. O controle da pressão arterial e do diabetes, quando presentes, é uma das medidas fundamentais para reduzir o risco de progressão. O médico também pode indicar medicamentos específicos e estratégias de acompanhamento de acordo com cada caso.
Hábitos diários também fazem diferença
A prevenção e o cuidado com os rins envolvem mudanças na rotina. Manter uma hidratação adequada, reduzir o consumo de sal e alimentos ultraprocessados, praticar atividade física e controlar o peso são medidas importantes para a saúde geral e renal.
A ingestão adequada de água também pode ajudar a prevenir a recorrência de cálculos renais e, em algumas pessoas, reduzir o risco de infecções urinárias. A quantidade ideal de líquidos, entretanto, deve considerar as condições individuais, especialmente entre pacientes que já apresentam comprometimento renal ou possuem restrição hídrica indicada pelo médico.
Outro cuidado essencial é evitar a automedicação. O uso frequente de anti-inflamatórios pode prejudicar a função dos rins, sobretudo em pessoas com fatores de risco ou que já apresentam alterações renais.
Ausência de sintomas não significa rins saudáveis
Estimativas frequentemente citadas apontam que aproximadamente um em cada dez brasileiros pode ter doença renal crônica. Como muitos casos permanecem sem sintomas durante anos, a avaliação preventiva assume um papel importante, principalmente entre pessoas que apresentam fatores de risco.
A orientação do especialista é não esperar o aparecimento de manifestações para procurar atendimento. Exames acessíveis, como a dosagem de creatinina e a pesquisa de albumina na urina, podem identificar alterações e permitir que o tratamento seja iniciado antes de uma perda mais significativa da função renal.
“Não devemos esperar os sintomas aparecerem. Exames acessíveis, como creatinina e albumina na urina, especialmente em quem tem fatores de risco, podem permitir o tratamento precoce e ajudar a evitar a evolução para a diálise. Uma atitude simples pode fazer toda a diferença”, conclui o médico.
A mensagem é clara: cuidar da saúde dos rins começa com prevenção, acompanhamento médico e atenção aos fatores de risco. Mesmo sem sintomas, uma avaliação adequada pode ser decisiva para identificar problemas precocemente e preservar a qualidade de vida.
Dr. Bruno Nogueira Cesar
Especialista em Clínica Médica e Nefrologia
CRM-DF 19645










