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Folha de Notícias

Brasil encosta nos EUA e pode assumir posto de maior exportador agrícola do mundo ainda em 2026

O Brasil está a um passo de alcançar uma marca histórica no comércio mundial de alimentos. Depois de mais de um século de liderança norte-americana, o país pode ultrapassar os Estados Unidos e se tornar o maior exportador agrícola do mundo entre países, segundo projeção repercutida pelo Financial Times. 

A diferença, que já foi de dezenas de bilhões de dólares, praticamente desapareceu. Em 2025, os Estados Unidos exportaram cerca de US$ 171,5 bilhões em produtos agrícolas, enquanto o agronegócio brasileiro alcançou o recorde de US$ 169,2 bilhões. Na prática, pouco mais de US$ 2 bilhões separaram os dois países. 

Por isso, ainda não é correto afirmar que o Brasil já ultrapassou oficialmente os Estados Unidos. A avaliação de que existe um “empate” neste início do último trimestre de 2026 foi feita pela consultora Larissa Wachholz, ouvida em análise que repercutiu a projeção do jornal britânico. O Financial Times aponta que, mantida a trajetória atual, a mudança de liderança pode ocorrer ainda em 2026. 

Distância despencou nos últimos anos

O avanço brasileiro ocorreu em ritmo acelerado. Em 2021, a vantagem norte-americana sobre o Brasil nas exportações agrícolas chegava a aproximadamente US$ 56 bilhões. Quatro anos depois, a diferença caiu para pouco mais de US$ 2 bilhões. 

Somente no primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras do agronegócio chegaram a aproximadamente US$ 87 bilhões, novo recorde para o período e cerca de 6% acima do resultado anterior. 

O Brasil já ocupa posições de liderança internacional em produtos como soja, carne bovina, carne de frango, café, açúcar, suco de laranja e algodão. No caso da soja, o país já superou há anos os Estados Unidos como principal exportador mundial.

China ajudou a acelerar avanço brasileiro

Um dos principais fatores por trás da mudança é a transformação da relação comercial entre Estados Unidos e China.

As disputas tarifárias iniciadas durante o primeiro governo de Donald Trump fizeram Pequim reduzir parte de sua dependência da produção norte-americana e ampliar as compras no Brasil. Em 2025, as exportações agrícolas dos Estados Unidos para a China caíram 66%, para US$ 8,4 bilhões, segundo o Departamento de Agricultura norte-americano. 

O movimento continuou beneficiando o Brasil. No primeiro semestre de 2026, a China comprou US$ 30,54 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro, crescimento de 10,5%. O país asiático respondeu sozinho por 35,1% das exportações do setor.

Europa também amplia espaço para produtos brasileiros

A União Europeia foi o segundo principal destino do agronegócio brasileiro no primeiro semestre, com compras de US$ 12,62 bilhões, crescimento de 4,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. 

O cenário comercial também passou por uma mudança importante em 2026. Desde 1º de maio, começou a aplicação provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que prevê redução gradual de tarifas e de barreiras comerciais entre os dois blocos.

É importante observar que, quando a União Europeia é considerada como um único bloco econômico, ela permanece acima de Estados Unidos e Brasil nas estatísticas globais. A comparação que coloca Brasil e Estados Unidos na disputa pela liderança considera países individualmente. 

Centro-Oeste está no coração dessa transformação

Poucas regiões simbolizam tanto a expansão do agronegócio brasileiro quanto o Centro-Oeste.

Segundo o IBGE, a região respondeu por R$ 288 bilhões em valor da produção agrícola em 2025, ultrapassando novamente o Sudeste, que registrou R$ 271 bilhões. Soja, milho e algodão foram os principais responsáveis pelo desempenho do Centro-Oeste. 

Mato Grosso liderou o ranking nacional, com R$ 165,6 bilhões. Goiás apareceu entre os maiores produtores do país, com R$ 72,7 bilhões em valor da produção agrícola, reforçando o peso econômico do estado neste avanço brasileiro. 

Para 2026, o Centro-Oeste continua respondendo por aproximadamente metade da produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas. 

O Sudeste também tem papel decisivo, principalmente com café, cana-de-açúcar, açúcar e suco de laranja, além da importância do Porto de Santos para o escoamento de grãos e outros produtos agrícolas produzidos em diferentes regiões do país. 

Ciência ajudou Brasil a transformar Cerrado em potência agrícola

A transformação não aconteceu apenas pelo aumento das áreas cultivadas. Pesquisadores destacam décadas de investimentos em genética, correção de solos, manejo, mecanização e desenvolvimento de variedades adaptadas ao clima tropical.

A Embrapa teve papel central nesse processo, especialmente na adaptação da soja às condições do Cerrado. A presidente da empresa, Silvia Massruhá, afirmou que ciência, tecnologia, capacitação e políticas públicas ajudaram o Brasil a passar de importador de alimentos para um dos maiores produtores e exportadores do planeta. 

Liderança pode mudar ainda este ano

Os Estados Unidos seguem oficialmente na frente pelos últimos números anuais consolidados. Mas a diferença atual é a menor registrada em décadas.

Caso o ritmo observado em 2026 seja mantido, o Brasil poderá encerrar o ano pela primeira vez à frente dos Estados Unidos em valor de exportações agrícolas, encerrando uma liderança norte-americana que atravessou mais de um século.

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