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Brasil encara a Noruega para quebrar dois tabus históricos e afastar fantasma que assombra a Seleção há mais de 20 anos

A Seleção Brasileira entra em campo neste domingo (5), às 17h (horário de Brasília), em Nova Jersey, nos Estados Unidos, diante da Noruega, em uma partida que pode representar muito mais do que a classificação às quartas de final da Copa do Mundo. O confronto coloca frente a frente um Brasil que tenta encerrar dois dos maiores tabus de sua história recente: conquistar a primeira vitória sobre os noruegueses e voltar a eliminar uma seleção europeia em um mata-mata de Mundial após mais de duas décadas.

O retrospecto diante da Noruega é um dos mais incômodos da história da Amarelinha. Entre todas as seleções que já enfrentaram o Brasil, apenas os escandinavos jamais foram derrotados. Em quatro confrontos disputados, foram duas vitórias norueguesas e dois empates.

O primeiro encontro aconteceu em 28 de julho de 1988, no Estádio Ullevaal, em Oslo. A Noruega saiu na frente com Jan Age Fjortoft, mas Edmar empatou para o Brasil, fechando o placar em 1 a 1. A equipe comandada por Carlos Alberto Silva já contava com futuros tetracampeões mundiais, como Taffarel, Jorginho e Romário.

O segundo duelo, em 30 de maio de 1997, também em Oslo, terminou em uma surpreendente vitória norueguesa por 4 a 2. Mesmo com Ronaldo e Romário no ataque, a equipe dirigida por Zagallo foi dominada pelos anfitriões. Petter Rudi, Egil Ostenstad e Tore André Flo, autor de dois gols, construíram o triunfo da seleção nórdica.

Aquela geração norueguesa ainda mantém ligação direta com a atual equipe. O ex-lateral Alf-Inge Haaland é pai de Erling Haaland, principal estrela da Noruega nos dias de hoje. Já Stale Solbakken, que atuava como meia naquela época, atualmente é o treinador da seleção escandinava.

O terceiro capítulo dessa rivalidade ocorreu na Copa do Mundo de 1998, na França. Pela última rodada da fase de grupos, o Brasil abriu o placar com Bebeto, mas sofreu a virada por 2 a 1. Tore André Flo voltou a marcar contra os brasileiros, enquanto Kjetil Rekdal converteu um pênalti para garantir a vitória norueguesa.

O confronto mais recente aconteceu em 16 de agosto de 2006, novamente em Oslo. Morten Pedersen colocou a Noruega em vantagem, mas Daniel Carvalho empatou a partida em 1 a 1, evitando a derrota na estreia de Dunga como técnico da Seleção Brasileira.

Às vésperas do reencontro, o lateral Douglas Santos destacou a importância de acabar com essa marca negativa.

“Acho que isso [tabu contra a Noruega] pode servir como motivação para que a gente possa tirar essa escrita. A gente espera que nesse jogo, que é tão especial para nós, possamos dar o melhor e sairmos felizes e contentes com a vitória”, projetou o jogador durante entrevista coletiva realizada na última sexta-feira (3).

Jejum contra europeus já dura cinco Copas do Mundo

Além da escrita diante da Noruega, o Brasil tenta colocar fim a outro incômodo histórico. A última vez que a Seleção eliminou uma equipe europeia em um mata-mata de Copa do Mundo foi na final de 2002, quando venceu a Alemanha por 2 a 0, em Yokohama, no Japão, com dois gols de Ronaldo e conquistou o pentacampeonato.

Desde então, a equipe brasileira acumulou eliminações traumáticas justamente diante de adversários europeus.

Em 2006, caiu nas quartas de final para a França após derrota por 1 a 0, em Frankfurt, com gol de Thierry Henry e atuação memorável de Zinedine Zidane.

Na Copa de 2010, disputada na África do Sul, o Brasil perdeu para a Holanda por 2 a 1. Após abrir o placar com Robinho, a Seleção sofreu a virada na segunda etapa, marcada também pela expulsão de Felipe Melo.

Quatro anos depois veio o episódio mais doloroso da história recente do futebol brasileiro: a goleada por 7 a 1 sofrida diante da Alemanha, no Mineirão, pelas semifinais da Copa do Mundo de 2014.

Em 2018, nas quartas de final disputadas na Rússia, a Bélgica venceu o Brasil por 2 a 1 e interrompeu novamente o sonho do hexacampeonato.

Já em 2022, no Catar, a eliminação aconteceu nos pênaltis diante da Croácia. Após empate por 1 a 1, os croatas venceram a disputa por 4 a 2 nas cobranças, encerrando mais uma campanha brasileira nas quartas de final.

O atacante Matheus Cunha reconheceu que as eliminações recentes ainda fazem parte das conversas dentro do elenco, mas garantiu que o grupo quer escrever uma nova história.

“Temos até certas conversas sobre o momento exato da eliminação [em edições anteriores] porque muitos dos nossos jogadores passaram por isso, mas é muito mais sobre não querer reviver aquele dia do que propriamente sobre o adversário ou a escola de onde ele vem, no caso a europeia. Para ganhar a Copa do Mundo, temos de passar por essas dificuldades. Que agora seja diferente e possamos contar uma outra história”, afirmou o atacante.

Agora, diante da única seleção que o Brasil jamais conseguiu vencer, a equipe brasileira terá a oportunidade de encerrar dois longos tabus em uma única partida e dar mais um passo rumo ao sonho do hexacampeonato.

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