Pular para o conteúdo principal

Folha de Notícias

Após ser confundido com criança pela PM, caminhoneiro de 20 anos relata série de situações constrangedoras no trabalho

Ser confundido com uma criança já virou parte da rotina do caminhoneiro Gabriel Allan Rodrigues, de 20 anos. Dias após ter a viagem interrompida pela Polícia Militar em Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina, por ter sido confundido com um menor de idade ao volante, o jovem revelou que o episódio está longe de ser um caso isolado. Em entrevista ao g1, ele contou que já foi impedido de entrar em empresas, enfrentou dificuldades para abrir contas em bancos e vive situações inusitadas por causa da aparência extremamente jovem.

Apesar da idade, Gabriel afirma que costuma ser confundido com adolescentes entre 13 e 16 anos. Em casos mais extremos, algumas pessoas chegam a acreditar que ele tenha apenas 10 anos.

Acostumado a trabalhar no transporte de cargas e na entrega de mercadorias, o motorista relata que a fisionomia jovial frequentemente se transforma em um obstáculo para exercer a profissão. Um dos episódios mais marcantes aconteceu ao chegar à portaria de uma empresa para entregar a nota fiscal do transporte, quando foi impedido de passar pela guarita.

“No meu dia a dia, às vezes vou entregar a nota em um lugar e o pessoal fala: ‘olha, infelizmente você não vai poder entrar. O motorista vai ter que entrar sozinho, porque menor de idade não entra aqui. Você vai ter que esperar o motorista’. Daí eu fico pensando: ‘Mas como assim? Eu sou o motorista'”, relatou.

Situações semelhantes também ocorrem nas docas de descarga. Segundo Gabriel, ao chegar para descarregar o caminhão, é comum que funcionários acreditem que ele seja apenas um ajudante ou um familiar do verdadeiro condutor.

Entre as histórias que mais chamam a atenção está a de uma funcionária que costuma brincar com sua aparência. “Tem uma funcionária que nunca perde a oportunidade de tirar sarro de mim. Ela sempre fala: ‘faltou aula hoje, criança?’. Quando eu pego a nota para entregar para ela, ela vem e tira sarro de mim e diz: ‘o que você está fazendo? Está vendendo rifa da escola?’. É claro que é só motivo de dar risada. Ela é um amor de pessoa e sempre atende todos bem”, contou.

Mesmo diante dos frequentes constrangimentos, Gabriel garante que encara as situações com bom humor. Para evitar atrasos nas viagens, transtornos durante fiscalizações nas estradas e problemas com a burocracia do dia a dia, ele adotou uma regra que considera indispensável: nunca sair de casa sem portar os documentos originais, uma forma de comprovar rapidamente sua identidade e idade sempre que surgem dúvidas.

Facebook
WhatsApp

Confira nossa última edição impressa do Jornal Folha de Notícias