A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) aceitou o pedido de desculpas feito pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e sinalizou uma reaproximação entre os dois após semanas de tensão pública. Em vídeo publicado nas redes sociais, Michelle afirmou ter recebido as declarações do enteado “com muita paz” e propôs que os dois se sentem para “ajustar os detalhes” da reconciliação.
“Recebi suas palavras com muita paz. Quero te agradecer por sua sinceridade”, afirmou Michelle. Segundo ela, “todos nós cometemos erros, isso é humano”, e o gesto de Flávio de se desculpar publicamente teve um significado importante.
“E o seu gesto de vir ao público para pedir desculpas tem muito valor e poucos homens teriam coragem de fazer isso”, declarou.
Michelle também afirmou que ela e Flávio compartilham do mesmo propósito e que o “bem do povo sempre foi maior do que desentendimentos”. Na sequência, confirmou que aceita o pedido de desculpas e defendeu uma atuação conjunta.
“Por isso, aceito o seu pedido. Eu te desculpo. Vamos sentar, vamos conversar, ajustar os detalhes e juntos vamos reunir um grande exército de pessoas de bem para resgatarmos o nosso Brasil”, afirmou.
A manifestação ocorre quase um mês depois de Michelle publicar vídeos em que acusou Flávio de tê-la desrespeitado e relatou um conflito entre os dois. A crise familiar ganhou repercussão política e chegou a provocar a saída da ex-primeira-dama da presidência do PL Mulher.
Durante o período de tensão, Michelle ficou quase um mês sem realizar novas publicações no feed do Instagram, mantendo apenas registros nos stories. Após aceitar o pedido de desculpas, ela também compartilhou uma foto ao lado de Flávio e reproduziu na legenda o conteúdo de sua declaração em vídeo.
Flávio pediu união e convidou Michelle para atuar ao seu lado
Antes da resposta de Michelle, Flávio Bolsonaro havia publicado um vídeo em que pediu desculpas por “momentos que causaram desconforto” e renovou o convite para que a ex-primeira-dama participe de sua caminhada política.
“Michelle, renovo aqui o convite para caminharmos juntos na missão de defender o Brasil e honrar o nosso maior líder, que é Jair Messias Bolsonaro, que enfrenta um momento extremamente difícil que exige de todos nós, desprendimento, humildade, coragem e espírito de união para honrar o seu legado”, declarou.
O senador afirmou ainda acreditar que os dois possuem objetivos em comum e defendeu uma atuação conjunta em torno de um projeto político.
“Eu tenho a convicção que a gente compartilha do mesmo objetivo, trabalhar por um Brasil mais seguro, próspero e cheio de esperança. As portas estão abertas”, disse.
Flávio também afirmou que, por serem figuras públicas, os conflitos entre eles acabam sendo explorados por adversários políticos. Segundo o senador, nunca houve intenção de desrespeitar ninguém. Ele pediu ainda que seus apoiadores deixem os conflitos para trás e “olhem para frente neste momento”.
Aliados comemoram trégua e defendem união do grupo político
A reaproximação entre Michelle e Flávio foi comemorada por aliados nas redes sociais. A senadora Damares Alves, que tenta convencer a ex-primeira-dama a manter sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal, destacou a importância da união do grupo.
“Temos uma nação para cuidar! Temos um Distrito Federal que conta com nosso trabalho e com nossa unidade! Amo você, minha amiga querida Michelle, amo você, Celina Leão [governadora do DF], nossa leoa destemida e leal”, escreveu.
A deputada federal Bia Kicis (PL-DF) também se manifestou: “Vamos trabalhar, juntos, por um Brasil melhor”. Já o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que “pacificar é essencial para a vitória” e destacou como fundamental o pedido de união feito por Flávio à militância.
“Assim, retomaremos a presidência e venceremos”, declarou o parlamentar.
O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, também comemorou a reconciliação. “Deus é grande! Só os grandes pedem perdão e se perdoam. Parabéns a ambos, nosso adversário é o descondenado”, publicou na rede social X.
O influenciador Paulo Figueiredo, que atua ao lado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e havia criticado as declarações anteriores de Michelle contra Flávio, também avaliou positivamente o novo posicionamento do senador.
“A tese central é aquela que eu também defendo sempre: a da união contra um mal maior. Será bonito se for correspondido pela ex-primeira dama”, escreveu antes da publicação do vídeo de Michelle.
Reconciliação ocorre em meio a momento delicado da pré-campanha
A tentativa de pacificação ocorre a poucos dias da convenção nacional do PL, marcada para este sábado (25), em São Paulo. Flávio Bolsonaro enfrenta resistências dentro da articulação nacional com partidos que podem integrar uma eventual aliança eleitoral e ainda não anunciou quem será seu vice.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou ao jornal O Globo que não esperava a presença de Michelle no evento, mas avaliou que ela “tem tudo” para conquistar uma vaga no Senado. Segundo ele, a ex-primeira-dama estaria disposta a se reconciliar com Flávio desde que o senador tomasse alguma iniciativa pública.
A pré-campanha de Flávio também enfrenta outros focos de desgaste. Na terça-feira (21), declarações do senador sobre as urnas eletrônicas, com acusações já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), repercutiram entre aliados. O episódio teria gerado alertas internos sobre o risco de afastamento de eleitores independentes.
Além disso, vieram a público informações sobre duas notas fiscais de R$ 500 mil cada emitidas pelo escritório de advocacia do senador para uma empresa que recebeu repasses do Banco Master. Flávio negou ter recebido os valores e afirmou que as notas foram canceladas.
“Eu não aceitei trabalhar para essa empresa chamada Copenhagen, que supostamente foi usada por [Daniel] Vorcaro para fazer pagamentos a algumas pessoas. Não foi o meu caso. Estou tendo que explicar por que eu não recebi o dinheiro dessa empresa”, declarou.
A reconciliação entre Michelle e Flávio encerra, ao menos publicamente, um dos principais conflitos internos que atingiram a família Bolsonaro nos últimos meses. A crise teve início após vídeos publicados por Michelle na noite de 24 de junho, quando ela afirmou ter sido maltratada e humilhada pelo enteado e revelou que os dois não se falavam desde o fim de 2025.
O desentendimento estaria relacionado à disputa pelo palanque político no Ceará, na qual Michelle acabou derrotada. Agora, com o pedido de desculpas aceito, os dois sinalizam uma tentativa de reconstrução da relação em um momento considerado estratégico para o grupo político.











