Uma estudante de 12 anos passou mal após ingerir um medicamento controlado levado por uma colega de turma para uma escola em Caiapônia, no sudoeste de Goiás. O caso aconteceu na segunda-feira (19) e mobilizou a direção da unidade de ensino, os familiares da adolescente e a Polícia Civil.
Segundo informações do boletim de ocorrência divulgadas pela TV Anhanguera, a menina ingeriu um comprimido de alprazolam, medicamento de tarja preta utilizado no tratamento de transtornos de ansiedade e outras condições médicas.
Pouco depois, a estudante começou a apresentar sonolência intensa, tontura e dificuldade para manter o equilíbrio, chegando a não conseguir permanecer em pé.
Medicamento pertencia ao avô de outra estudante
Conforme o registro policial, a adolescente contou à direção da escola que havia pedido a uma colega de classe que levasse o medicamento.
O comprimido pertencia ao avô da outra estudante. A informação foi confirmada pela mãe da menina que levou o remédio, segundo os relatos apresentados às autoridades.
Diante dos sintomas, a direção escolar acionou imediatamente os responsáveis pela aluna, que a levaram para atendimento hospitalar.
A adolescente recebeu cuidados médicos, permaneceu em observação e se recuperou. Segundo as informações divulgadas, ela passa bem.
Boatos sobre overdose levaram escola à delegacia
Após o episódio, mensagens começaram a circular em grupos de WhatsApp e outras redes sociais de Caiapônia, afirmando que a estudante teria sofrido uma overdose após consumir drogas ilícitas dentro da escola.
A informação não correspondia ao relato registrado na ocorrência, que apontava a ingestão de um medicamento controlado levado por uma colega.
Diante da repercussão e da divulgação dos conteúdos considerados falsos, a diretora da escola procurou a Polícia Civil e registrou um boletim de ocorrência solicitando a apuração dos responsáveis.
O registro menciona suspeitas de calúnia e difamação. Caberá às autoridades avaliar os fatos e verificar se houve prática de algum crime.
A investigação também busca esclarecer as circunstâncias em que o medicamento foi levado e consumido no ambiente escolar.
Médicos alertam para os riscos da automedicação
O alprazolam pertence à classe dos benzodiazepínicos, medicamentos que atuam no sistema nervoso central e exigem prescrição e acompanhamento médico.
O uso sem orientação profissional pode provocar efeitos como sonolência intensa, tontura, confusão mental e dificuldades de coordenação. Em situações mais graves, especialmente quando combinado com outras substâncias depressoras do sistema nervoso, pode causar complicações respiratórias.
Em entrevista à TV Anhanguera, o médico infectologista Hélio Hanes alertou que medicamentos psicotrópicos podem provocar rebaixamento do nível de consciência e outros efeitos importantes, especialmente quando utilizados sem indicação médica.
Polícia investiga o caso
A Polícia Civil acompanha a ocorrência e a disseminação das informações falsas relacionadas à estudante.
A identidade das duas menores envolvidas não foi divulgada, em respeito à proteção de crianças e adolescentes.
Até a última atualização da reportagem da TV Anhanguera, a Coordenação Regional de Educação responsável por Caiapônia havia sido procurada, mas ainda não havia apresentado posicionamento.
A adolescente está recuperada, enquanto as autoridades apuram as circunstâncias do ocorrido e a origem dos boatos que circularam nas redes sociais.










