O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara uma ampla renovação no comando das Forças Armadas para o início de seu quarto mandato, em janeiro de 2027. A mudança poderá marcar um momento histórico: pela primeira vez desde a redemocratização, Exército, Marinha e Aeronáutica poderão ser comandados simultaneamente por oficiais que concluíram sua formação após o fim da ditadura militar, em 1985.
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, os atuais comandantes das três Forças já manifestaram a intenção de deixar seus cargos. A reorganização também deverá alcançar o Ministério da Defesa, atualmente comandado por José Múcio Monteiro.
Atualmente, o Exército é comandado pelo general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva; a Marinha, pelo almirante Marcos Sampaio Olsen; e a Aeronáutica, pelo tenente-brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno.
Os três concluíram sua formação como oficiais durante o governo do general João Figueiredo, último presidente do regime militar brasileiro, encerrado em 1985.
Tomás Paiva tornou-se aspirante a oficial em 1981, enquanto Olsen e Damasceno concluíram a formação em 1982.
Os possíveis sucessores, por outro lado, pertencem a uma geração que ingressou no oficialato a partir de 1985, durante o governo de José Sarney, primeiro presidente civil após o fim da ditadura.
A eventual substituição representaria uma mudança geracional na liderança das instituições militares, embora não signifique, por si só, alteração automática de suas diretrizes ou estruturas.
Quem são os militares cotados para assumir?
No Exército, um dos nomes mencionados é o general Francisco Humberto Montenegro Júnior, atual chefe do Estado-Maior da Força, formado em 1986.
Na Aeronáutica, aparecem entre os possíveis sucessores os tenentes-brigadeiros Walcyr de Castilho Araújo e Ary Soares Mesquita, ambos formados em 1987.
Já na Marinha, são citados os almirantes Arthur Fernando Bettega e Carlos Chagas Vianna Braga.
A escolha dos comandantes cabe ao presidente da República. Tradicionalmente, são considerados os oficiais mais antigos de cada Força, mas o chefe do Executivo não é obrigado a seguir essa ordem.
Até o momento, não há confirmação oficial dos nomes que serão escolhidos.
José Múcio também deve deixar o Ministério da Defesa
A reformulação poderá atingir o Ministério da Defesa. José Múcio Monteiro, que assumiu a pasta em 2023, manifestou a intenção de deixar o governo após quatro anos no cargo.
Entre os nomes considerados para substituí-lo está Cinara Wagner Fredo, atual secretária-geral do ministério. Caso seja escolhida, ela poderá se tornar a primeira mulher a comandar a Defesa no Brasil.
Outro nome mencionado nas articulações é o de Márcio Elias Rosa.
O general Tomás Paiva também aparece como possível indicado para assumir o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, responsável por atribuições ligadas à segurança institucional.
Renovação ocorre após período de tensão entre militares e política
Os atuais comandantes assumiram suas funções em um período marcado pelas consequências das eleições de 2022 e pelos ataques às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023.
Durante suas gestões, as Forças Armadas também acompanharam investigações e processos judiciais envolvendo militares acusados de participação na tentativa de golpe de Estado.
A possível renovação da cúpula militar acontece, portanto, em um contexto de reorganização institucional e de debates sobre a relação entre as Forças Armadas e o poder civil.
A expectativa é de que os novos nomes sejam definidos durante a transição para o próximo mandato, com substituições previstas para janeiro de 2027.
Se confirmadas, as mudanças poderão encerrar um ciclo de mais de quatro décadas em que oficiais formados ainda durante o regime militar chegaram aos postos mais altos das três Forças.











