Santa Helena de Goiás se aproxima de mais um aniversário em um cenário que mistura comemoração e cobranças sobre a administração municipal. A cidade completa 78 anos no próximo dia 20 de outubro, mas chega à data após meses marcados por processo político contra o prefeito Iris Parreira, problemas relacionados ao lixo e medidas de contenção das despesas públicas.
Diante desse cenário, uma pergunta ganha espaço entre as discussões políticas do município: além das comemorações pelo aniversário da cidade, quais resultados a gestão tem para apresentar à população?
Um dos principais episódios políticos de 2026 foi a abertura de uma Comissão Processante contra o prefeito Iris Parreira.
Documentos oficiais da Câmara Municipal mostram que a Denúncia nº 01/2026 teve prosseguimento e resultou na formação de comissão para apuração. O Legislativo determinou inclusive a notificação pessoal do prefeito e estabeleceu que o procedimento deveria seguir o rito previsto no Decreto-Lei nº 201/1967, garantindo ao chefe do Executivo direito ao contraditório e à ampla defesa.
A existência do procedimento não significa condenação ou afastamento automático do prefeito. Trata-se de processo político-administrativo que precisa cumprir todas as etapas previstas em lei antes de eventual decisão final.
Ministério Público entrou na questão do lixo
Outro problema que ganhou repercussão foi a situação dos resíduos sólidos no município.
Em março, o Ministério Público de Goiás informou oficialmente que instaurou procedimento administrativo para apurar possíveis irregularidades na gestão e na destinação final dos resíduos sólidos de Santa Helena.
Segundo o MPGO, a apuração envolve principalmente o processo de encerramento ambiental do antigo lixão e a operação do aterro sanitário. O órgão destacou que o aterro possui licença ambiental válida, mas decidiu investigar possíveis inconsistências relacionadas à destinação dos resíduos urbanos.
Meses depois, a situação voltou a chamar atenção por causa de incêndios no lixão.
Em julho, a Justiça concedeu liminar, a pedido do Ministério Público, obrigando o município a adotar medidas imediatas para extinguir focos de incêndio no local. A decisão determinou prazo de 48 horas para apresentação e início de um plano emergencial, incluindo uso de máquinas pesadas, pessoal qualificado, abafamento dos focos com terra e monitoramento permanente da área.
Prefeitura decretou contenção de gastos
O cenário financeiro da administração municipal também entrou no debate.
Em abril, Iris Parreira assinou o Decreto nº 151/2026, estabelecendo medidas temporárias de contenção, racionalização, revisão e controle dos gastos públicos.
O documento cita necessidade de reequilíbrio fiscal, adequação das despesas ao comportamento da arrecadação e preservação da continuidade dos serviços essenciais. Também menciona passivos relacionados ao Pasep que, somados, ultrapassam R$ 2,9 milhões.
Entre as medidas previstas estão limitação de empenhos, revisão de contratos, controle de gastos com pessoal, restrições para novas contratações e redução de despesas administrativas.
O decreto chegou a prever a suspensão de novas despesas com eventos, festividades, recepções e outras ações consideradas não essenciais, salvo situações devidamente justificadas e autorizadas dentro das regras estabelecidas pela própria administração.











