Pular para o conteúdo principal

Folha de Notícias

Sobreviventes do terremoto no Japão enfrentam falta de água e calor de 35°C

Dois dias após um terremoto de magnitude 7,1 atingir o sul do Japão, milhares de moradores de Yatsushiro, na província de Kumamoto, ainda enfrentam as consequências da destruição provocada pelo tremor. Cerca de 58 mil domicílios permanecem sem água encanada ou energia elétrica, enquanto as altas temperaturas do verão japonês aumentam a preocupação com a saúde e a segurança dos sobreviventes.

O terremoto derrubou casas, provocou rachaduras em ruas e deixou pelo menos 34 mortos. Agora, além dos danos visíveis causados pelo tremor, autoridades locais alertam para os riscos provocados pela falta de serviços básicos em meio ao calor intenso e à umidade elevada.

Akio Matsushita, autoridade local que participa da coordenação das operações de socorro, afirmou que ainda não é possível estimar quanto tempo será necessário para reparar as tubulações de água severamente danificadas.“Devido ao calor do verão, a falta de água é especialmente difícil”, disse Matsushita à prefeitura local.

A situação também afeta a estrutura de atendimento à população. Com os banheiros da prefeitura fora de funcionamento, autoridades precisaram instalar banheiros de emergência sobre bueiros de esgoto do lado de fora do prédio. No local, moradores e equipes de socorro enfrentam temperaturas próximas dos 35°C, acompanhadas de umidade sufocante.“Será necessário um trabalho meticuloso, e não há, no momento, um cronograma definido”, acrescentou Matsushita.

A concessionária Kyushu Electric Power informou que trabalha com a expectativa de restabelecer o fornecimento de energia elétrica até a noite desta sexta-feira (31). Enquanto isso, a falta de água e eletricidade mantém milhares de famílias em situação de vulnerabilidade.

Entre as vítimas do terremoto estão trabalhadores que estavam em locais atingidos pela destruição. Segundo o governo da província de Kumamoto, a maioria das mortes ocorreu em uma fábrica de papel da Nippon Paper Industries, que sofreu graves danos estruturais, e em um shopping center da Aeon, onde uma possível explosão de gás também é investigada.

Outras nove mortes registradas na região ainda são investigadas pelas autoridades para determinar se possuem relação direta com o terremoto.

Uma das vítimas foi um trabalhador vietnamita recém-casado, que deixou a esposa e um bebê de apenas sete meses. Em entrevista ao site de notícias vietnamita Kenh14, Vu Thi Thuy relembrou a última conversa que teve com o marido na noite anterior ao terremoto.

“Sempre que fazíamos uma videochamada, meu filho nunca queria olhar para o pai, mas naquela noite, por algum motivo, ele ficou grudado na tela, querendo estar com o pai”, contou.“Já passava das 23h quando finalmente disse a ele: ‘Vamos desligar para que o papai possa dormir um pouco. Ele tem que trabalhar amanhã’. Nunca imaginei que aquela seria nossa última ligação.”

Enquanto as equipes de emergência trabalham para recuperar a infraestrutura destruída, os moradores de Yatsushiro seguem enfrentando não apenas os efeitos imediatos do terremoto, mas também uma nova ameaça: a combinação entre a falta de água e energia e o calor intenso do verão japonês.

Facebook
WhatsApp

Confira nossa última edição impressa do Jornal Folha de Notícias