De uma infância simples na zona rural ao protagonismo como consultora em cultura, governança e sucessão, a empresária Andressa Labury, de Rio Verde, construiu uma trajetória marcada por decisões corajosas, enfrentamento de inseguranças e um propósito claro: gerar impacto real em pessoas e organizações. Em entrevista, ela revela os desafios que enfrentou, os aprendizados ao longo do caminho e a força que a levou a deixar uma carreira consolidada para empreender.
Criada em um ambiente rural e incentivada desde cedo pelos pais a estudar, Andressa teve na mãe, professora, uma de suas principais influências. “Minha infância foi marcada por uma vida simples, rural, mas desde sempre fui muito influenciada pelos meus pais a ler, estudar”, relata. Ainda criança, já havia decidido que cursaria o ensino superior, objetivo que alcançou ao ingressar em uma universidade federal após estudar em escola pública.
Formada em Psicologia, a profissional rapidamente percebeu que queria ir além do individual. “Rapidamente percebi que queria impactar algo maior, o coletivo: as organizações”, afirma. Com mais de duas décadas de atuação em empresas de diferentes portes, incluindo uma multinacional, Andressa acumulou experiência em gestão de pessoas, viagens pelo país e implantação de processos em recursos humanos.
A virada decisiva veio após 20 anos de carreira. “Foi uma decisão difícil, deixar a segurança e me lançar em um caminho desconhecido. Mas, mais uma vez, fui com medo mesmo”, destaca sobre a escolha de empreender. Hoje, ela atua conectando cultura organizacional, estratégia e sucessão, consolidando um trabalho que, segundo ela, é resultado de cada etapa vivida, inclusive as mais desafiadoras.
Ao falar sobre sucesso, Andressa é direta: “Sucesso, para mim, é coerência, é crescer sem se desconectar de quem você é”. Para ela, o reconhecimento financeiro é consequência, não prioridade. “No profissional, é gerar impacto real. No pessoal, é ter liberdade e paz para viver o que faz sentido.”
A trajetória, no entanto, não foi isenta de dúvidas. A empresária relembra inseguranças desde o período pré-universitário até a inserção no mercado de trabalho. “Tive dúvidas se seria capaz de entrar na universidade, se tinha forças para concorrer com pessoas que tiveram acesso a um ensino melhor”, conta. Ainda assim, manteve-se firme. “Decidi seguir sempre meus objetivos, mesmo em dúvida, mesmo com medo, mesmo com frio na barriga.”
Entre os principais obstáculos enfrentados, ela destaca o desafio de se posicionar profissionalmente. “Aprender a não aceitar menos do que eu poderia construir, e a dizer ‘não’ para o que não fazia sentido”, pontua. Para Andressa, o aprendizado central foi compreender que “carreira forte se constrói com escolhas e coragem de aceitá-las”.
Em um cenário ainda marcado pela predominância masculina em posições estratégicas, ela afirma que nunca esperou oportunidades. “Eu nunca esperei espaço, eu construí o meu”, declara. Segundo ela, a motivação sempre esteve ligada à consistência e à entrega de valor. “Quando você entrega valor de verdade, o reconhecimento acontece.”
Atualmente, Andressa acredita que seu diferencial está na capacidade de integrar cultura organizacional à estratégia de negócios. “Eu não trabalho cultura como discurso, mas como estrutura que impacta decisões, comportamento e resultado”, explica.
Para quem está começando e enfrenta inseguranças, a orientação é clara: “Não espere estar pronta para começar, pois a confiança vem depois da ação”. Ela reforça que o medo faz parte do processo. “Não é um sinal para parar, é um sinal de crescimento.”
Encerrando, a empresária deixa um recado direto às mulheres que ainda não deram o primeiro passo rumo aos seus objetivos. “O momento certo não existe, o que existe é decisão, e ninguém pode decidir por você. A vida que você quer viver começa no momento em que você decide não ficar mais no mesmo lugar e não aceitar menos do que merece.”











