Em plena campanha de 2026, Santa Helena de Goiás começa a colocar uma pergunta nos bastidores políticos: até que ponto receber publicamente o apoio do prefeito Iris Parreira (MDB) ajuda um candidato e em que momento essa associação pode passar a representar um risco eleitoral?
Iris chegou à Prefeitura após uma eleição apertada em 2024. Foram 12.052 votos, equivalentes a 52,49% dos válidos, contra 10.910 votos de Agenor, que terminou com 47,51%. A diferença entre os dois foi de apenas 1.142 votos, mostrando que o município já saiu das urnas politicamente dividido.
Quase dois anos depois, o ambiente político se tornou ainda mais turbulento. Em maio de 2026, Iris se tornou o primeiro prefeito, em 78 anos de emancipação de Santa Helena, a ter a abertura de uma comissão processante aprovada pela Câmara Municipal. A denúncia envolvia suspeitas relacionadas a atos administrativos. A defesa do prefeito negou irregularidades e classificou o procedimento como politicamente motivado.
A própria tramitação mostrou o tamanho da divisão política. A comissão chegou a recomendar, por 2 votos a 1, o arquivamento da denúncia. Quando o parecer chegou ao plenário, porém, sete vereadores votaram contra o arquivamento e cinco a favor, determinando naquele momento o prosseguimento do processo.
Em agosto, um segundo pedido de impeachment contra Iris foi apresentado por um morador, acrescentando mais um capítulo ao ambiente de confronto político no município. A existência de uma denúncia ou pedido de impeachment, importante ressaltar, não significa culpa ou comprovação das acusações.
A administração também precisou adotar medidas de contenção financeira. Em abril, decreto assinado pelo prefeito estabeleceu controle temporário de gastos, limitação de despesas não obrigatórias e restrições sobre contratações, eventos, viagens e outros gastos, sob a justificativa de preservar o equilíbrio fiscal do município.
Esse conjunto de episódios não permite afirmar, sem pesquisa de opinião, qual é atualmente o índice de aprovação ou rejeição de Iris Parreira. Mas mostra que o prefeito chega ao processo eleitoral de 2026 sob um ambiente político muito mais desgastado e polarizado do que aquele existente quando venceu as eleições municipais.
É justamente aí que surge o risco para candidatos estaduais e federais que desembarcarem em Santa Helena buscando uma fotografia, um palanque ou uma declaração pública de apoio do prefeito.
Em política, apoio nunca é neutro. Quando um gestor possui alta aprovação, sua presença pode ajudar a transferir confiança e mobilizar sua base. Quando existe desgaste, porém, o abraço político também pode fazer o candidato herdar parte da insatisfação direcionada à administração.
Iris ainda possui aliados, estrutura política e uma base eleitoral que não pode ser ignorada. Afinal, foi eleito prefeito. Mas o cenário de 2026 exige outra pergunta: essa base permanece do mesmo tamanho depois de quase dois anos de governo?
Sem uma pesquisa atual, ninguém pode responder numericamente. Nas urnas, entretanto, candidatos que associarem fortemente sua imagem à atual administração descobrirão rapidamente se o apoio de Iris continua sendo um ativo eleitoral em Santa Helena ou se, diante do desgaste acumulado, passou a representar um peso que também será levado para dentro da cabine de votação.
Afinal, em 2026, aparecer ao lado de Iris Parreira em Santa Helena ajuda a ganhar votos ou pode fazer um candidato perder justamente os eleitores insatisfeitos com sua gestão?
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