Uma criança de 10 anos permanece internada em Natal, no Rio Grande do Norte, com suspeita de intoxicação após contato com um detergente da marca Ypê que integra os lotes atualmente investigados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O caso ocorre em meio à manutenção da suspensão da fabricação, comercialização e uso de 24 produtos da empresa, decisão confirmada pela agência nesta sexta-feira (15).
Segundo informações repassadas pela família, a mãe da criança adquiriu o detergente no dia 4 de maio. O produto, identificado com lote final 1, teria sido utilizado na residência no dia seguinte. Já em 6 de maio, a menor começou a apresentar manchas pelo corpo e sinais de reação alérgica.
A criança foi levada a uma unidade de saúde, onde permaneceu em tratamento durante oito dias, recebendo aplicações de adrenalina e medicamentos antialérgicos. Mesmo após o atendimento inicial, o quadro exigiu transferência para um hospital especializado.
Familiares afirmam que, apesar da melhora clínica, os sintomas continuam surgindo de forma recorrente. “Durante oito dias foi aquela luta, tomando adrenalina, anti-alérgico. Aparentemente ela está bem, mas a intoxicação está aparecendo a todo o tempo”, relatou um parente à CNN.
Suspensão mantida
Em paralelo ao caso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu manter o embargo sobre os produtos da marca após análise de um recurso administrativo apresentado pela fabricante. A empresa havia solicitado a retomada das atividades, alegando ter corrigido as irregularidades identificadas durante a fiscalização.
No entanto, o diretor-presidente da Anvisa e relator do processo, Leandro Safatle, afirmou que as medidas adotadas pela companhia ainda não garantem segurança suficiente para a produção.
A decisão do colegiado da agência foi unânime e manteve a suspensão das atividades relacionadas a 24 produtos da marca, incluindo detergentes, sabões líquidos e desinfetantes.
De acordo com o relatório técnico da Anvisa, um dos principais problemas encontrados está ligado aos sistemas de prevenção e controle da fábrica da empresa localizada em Amparo, no interior de São Paulo. O órgão classificou os mecanismos de segurança sanitária da unidade como ineficientes diante dos riscos identificados durante a inspeção.













