Pular para o conteúdo principal

Folha de Notícias

Após 13 anos de buscas, família descobre que jovem desaparecida aos 19 anos foi assassinada e enterrada como indigente em Goiânia

Um exame de DNA encerrou, após 13 anos, a angústia da família de Lorena Cláudia Pereira Silva, que desapareceu em 2013, aos 19 anos. A jovem foi encontrada morta na época, mas acabou enterrada como indigente em Goiânia. A identidade do corpo só foi confirmada agora, depois que exames genéticos realizados pelos pais da vítima apontaram compatibilidade com os restos mortais.

A família recebeu a confirmação na segunda-feira (27), após o Instituto Médico Legal (IML) entrar em contato com a mãe de Lorena. As amostras de DNA dos pais foram coletadas em março de 2026, a pedido do Grupo de Investigação de Desaparecidos (GID), e inseridas no Banco de Perfis Genéticos da Polícia Científica do Estado de Goiás (BPG-PCI/GO) e no Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG).

Em entrevista ao g1, Daniela dos Reis Pereira Silva, de 34 anos, irmã de Lorena, contou que a família só descobriu agora que o corpo encontrado em Goiânia em 2013 era da jovem.

“Em 2013, ela foi enterrada como indigente, a gente foi descobrir agora através de um DNA que meu pai e minha mãe fizeram e foi compatível com o corpo que foi encontrado em Goiânia, no meio da rua ferido por arma de fogo”, contou.

De acordo com documentos obtidos pelo g1, o corpo foi localizado no dia 31 de julho de 2013, às 20h35, na Avenida Leste Oeste, em Goiânia. A vítima estava sem documentação e, segundo o laudo cadavérico, havia sofrido dois disparos de arma de fogo e traumatismo torácico.

Segundo Daniela, o corpo permaneceu durante cerca de um mês no IML antes de ser enterrado como indigente. Enquanto isso, a família estava em Rubiataba, na região central de Goiás, sem saber o que havia acontecido com Lorena.

“A gente procurou desde o primeiro dia que ela saiu daqui”, contou a irmã.

Inicialmente, os familiares tiveram dificuldades para aceitar a possibilidade de que o corpo encontrado pudesse ser de Lorena. No entanto, por meio de uma fotografia, conseguiram reconhecer as tatuagens da jovem.

Agora, além de finalmente poder dar um destino à história de Lorena, a família busca respostas sobre o assassinato e espera que o responsável seja identificado e responsabilizado pelo crime.

“Não pode ficar impune o que aconteceu com ela. A pessoa levar um tiro no meio da rua e ficar jogada no meio da rua, igual ela ficou, e não saber quem foi que fez”, desabafou Daniela.

Jovem desapareceu após viajar para Goiânia

Lorena viajou de Rubiataba para Goiânia em julho de 2013 acompanhada de amigos. Segundo a irmã, a intenção era permanecer na capital por aproximadamente 15 dias antes de retornar para casa.

Durante a última conversa entre as duas, Lorena contou que havia encontrado um barraco onde poderia morar temporariamente.

“Ela me ligou e falou que ia ficar uns 15 dias e depois ia voltar. Conversou comigo, conversou com a minha mãe e, depois desse dia, nunca mais entrou em contato”, relatou Daniela.

Ao longo dos anos, a família recebeu diversos relatos de pessoas que afirmavam ter visto Lorena em diferentes cidades. Nenhuma das informações, porém, levou ao paradeiro da jovem.

A família chegou a procurar ajuda na delegacia de Rubiataba. Segundo Daniela, um policial, que não teve o nome divulgado, teria informado que Lorena havia sido vista em Ceres, o que fez com que o caso deixasse de ser tratado como desaparecimento.

“Ele falou que não precisava procurar mais porque ela tinha sido vista em Ceres. Mas isso era mentira, porque ela estava em Goiânia quando falou comigo e foi justamente no dia em que ela foi morta”, disse.

Na época do desaparecimento, Lorena tinha apenas 19 anos. Conforme relatado pela irmã, a jovem já não morava com os pais e enfrentava dependência química, mas não vivia em situação de rua.

“Ela morava sozinha, na casa de amigos. Era dependente de droga, mas não era moradora de rua”, explicou Daniela.

Treze anos de esperança e sofrimento

Para a família, os 13 anos que se passaram desde o desaparecimento foram marcados pela incerteza, pela esperança e pelo sofrimento. Os inúmeros relatos de pessoas que diziam ter visto Lorena fizeram com que os parentes acreditassem, durante anos, que ela ainda pudesse estar viva.

A confirmação da morte provocou choque entre os familiares. Embora existisse o temor de que a jovem tivesse sido vítima de algum crime, a família se recusava a acreditar que esse pudesse ser o desfecho.

“No fundo, a gente quase tinha certeza, mas não queria acreditar. Como as pessoas falavam que viam ela, a esperança de encontrá-la viva era muito grande”, destacou a irmã.

Com a identificação por meio do exame de DNA, a família finalmente obteve uma resposta sobre o paradeiro de Lorena, mas agora enfrenta uma nova busca: descobrir quem matou a jovem e garantir que o crime não fique sem responsabilização.

Facebook
WhatsApp

Confira nossa última edição impressa do Jornal Folha de Notícias