O candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), anunciou nesta quarta-feira (5) que o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) será o candidato a vice-presidente em sua chapa nas eleições deste ano. A escolha foi oficializada após semanas de negociações para ampliar alianças no campo da centro-direita, frustradas pela decisão de partidos aliados de adotarem neutralidade na disputa presidencial.
Durante o evento, Flávio Bolsonaro destacou a trajetória de Alfredo Gaspar na segurança pública, no Ministério Público e sua atuação na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, afirmando que o parlamentar reúne experiência e representatividade para integrar o projeto de governo.
“É uma pessoa que eu aprendi a admirar, todos vocês aqui aprenderam a admirar pela coragem, honestidade, pela sua história à frente da segurança pública. Alguém que já foi promotor de Justiça, chefe do Ministério Público do seu estado”, declarou.
Na sequência, o senador reforçou o papel desempenhado por Gaspar durante a CPMI do INSS. “Alguém que enfrentou e defendeu os nossos aposentados na CPMI do INSS. Alguém que pediu a prisão do Lulinha porque tinha culpa no cartório. E alguém que representa o Nordeste de fato”, afirmou.
Ex-promotor de Justiça, Alfredo Gaspar também foi procurador-geral de Justiça e secretário de Segurança Pública de Alagoas. Eleito deputado federal em 2022, ganhou projeção nacional ao assumir a relatoria da CPMI que investigou suspeitas de fraudes em descontos aplicados a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Ao agradecer a indicação, Gaspar afirmou que pretende caminhar ao lado de Flávio Bolsonaro durante a campanha e destacou sua origem nordestina.
“Vossa Excelência escolheu uma pessoa simples, nordestina, mas com uma história de vida de muito trabalho”, disse.
Em seguida, completou: “Estou aqui, de cabeça erguida, para dizer que ao seu lado marcharei para transformar este Brasil em um local justo e decente.”
Durante o discurso, o deputado também fez referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro. “Me permita, presidente, dizer que sinto uma falta grande hoje de duas pessoas: do meu pai, que está no céu, e do seu pai, que está em cativeiro”, declarou.
Relatório da CPMI do INSS
A atuação de Alfredo Gaspar na relatoria da CPMI do INSS foi um dos principais argumentos utilizados pelo PL para justificar sua escolha. Após meses de investigação sobre suspeitas de fraudes envolvendo descontos em benefícios previdenciários, o parlamentar apresentou um relatório propondo o indiciamento de mais de 200 pessoas.
Entre os nomes citados estavam parlamentares, ex-ministros, dirigentes de estatais, representantes de entidades associativas e Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Apesar da repercussão, o relatório foi rejeitado por 19 votos a 12, encerrando os trabalhos da comissão sem a aprovação de um texto final.
Busca por uma vice mulher terminou sem acordo
Antes da definição da chapa, a campanha de Flávio Bolsonaro buscou uma mulher para ocupar a vaga de vice-presidente, estratégia voltada para ampliar o apoio entre o eleitorado feminino, que representa 52,8% dos eleitores brasileiros.
Entre os nomes cogitados estavam a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, filiada ao Republicanos. No entanto, ambas acabaram fora da composição após seus partidos anunciarem neutralidade na disputa presidencial.
Mesmo sem integrar a chapa, as duas participaram do evento de lançamento da candidatura. Tereza Cristina agradeceu o convite para ser vice, mas afirmou que não poderia aceitar em razão de questões partidárias. Já Daniella Marques destacou a importância da criação de políticas públicas voltadas à proteção e valorização das mulheres.
Neutralidade de aliados levou PL a optar por chapa pura
A escolha de Alfredo Gaspar ocorreu após o fracasso das negociações para ampliar a coligação presidencial. Nos bastidores, o PL discutia a possibilidade de oferecer a vaga de vice a um nome indicado pelo Republicanos ou pela federação formada por União Brasil e Progressistas (PP), como forma de consolidar o apoio dessas legendas.
Contudo, tanto o Republicanos quanto a federação União Brasil-PP decidiram permanecer neutros na disputa presidencial e não integrar uma coligação.
Diante desse cenário, o Partido Liberal optou por lançar uma chapa composta exclusivamente por filiados da legenda, confirmando Alfredo Gaspar como companheiro de Flávio Bolsonaro na corrida ao Palácio do Planalto.











