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Folha de Notícias

PF prende “secretária” de investigado ligado ao PCC em operação da PF que bloqueou R$ 10,4 bilhões

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (3), a Operação Exchange para desarticular uma organização criminosa suspeita de movimentar bilhões de reais em um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro oriundo do tráfico internacional de drogas. A ofensiva também mira investigados sancionados pelo governo dos Estados Unidos por supostas ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A Justiça determinou o bloqueio de bens, valores e criptoativos que podem chegar a R$ 10,4 bilhões.

Ao todo, mais de 50 policiais federais cumprem 24 ordens judiciais, sendo 13 mandados de busca e apreensão e 11 de prisão temporária nas cidades de São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. As determinações foram expedidas pela 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo.

Entre os presos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, de 34 anos. Segundo o governo dos Estados Unidos, ela seria parente de Victor Henrique de Oliveira Shimada e atuaria como sua “secretária” e intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro. As autoridades norte-americanas apontam Stella como uma das integrantes do esquema financeiro investigado.

Já Victor Henrique de Oliveira Shimada, considerado pelas autoridades americanas um dos principais operadores financeiros ligados ao PCC, não foi localizado nos endereços atribuídos a ele durante a operação e, até o momento, é tratado como foragido da Justiça. Em nota, a defesa do empresário informou que fará uma análise técnica do caso assim que tiver acesso aos autos da investigação.

De acordo com a Polícia Federal, o grupo criminoso utilizava uma estrutura complexa para ocultar e movimentar recursos ilícitos por meio de transferências irregulares de criptoativos, transporte de dinheiro em espécie, operações bancárias de alto valor e sucessivos repasses entre pessoas físicas e jurídicas, dificultando o rastreamento dos valores pelas autoridades.

Os investigados poderão responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outros crimes que venham a ser identificados durante o andamento das investigações.

As apurações também revelam conexões internacionais. Conforme informações do governo dos Estados Unidos, Victor Shimada é apontado como um “elo fundamental” entre operadores financeiros e integrantes do PCC, sendo acusado de lavar mais de US$ 30 milhões em diversas cidades norte-americanas.

Shimada é proprietário da empresa Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda. Conforme divulgado anteriormente, as autoridades americanas afirmam que o empresário foi preso pela Polícia Federal, em janeiro de 2025, por suspeita de participar da lavagem de dinheiro envolvendo um clube de futebol brasileiro em um suposto esquema fraudulento de patrocínio. Embora o comunicado não cite nominalmente o Corinthians, o caso foi relacionado ao clube durante as investigações.

Além do empresário, empresas de sua propriedade, incluindo uma sediada em Portugal, também foram alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos. Com a medida, todos os bens e ativos de Shimada e Stella em território americano foram bloqueados. Cidadãos e empresas dos Estados Unidos estão proibidos de manter relações comerciais ou financeiras com os investigados, enquanto instituições financeiras estrangeiras que realizarem transações com os sancionados poderão sofrer sanções secundárias.

O endurecimento das medidas ocorre após o governo do presidente Donald Trump classificar oficialmente, em 5 de junho, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO). A decisão, assinada pelo secretário de Estado Marco Rubio, ampliou os mecanismos legais disponíveis para aplicação de sanções contra integrantes, colaboradores e pessoas suspeitas de manter vínculos financeiros com as duas facções criminosas.

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