Uma mulher de 48 anos foi presa preventivamente após usar o próprio carro para tentar invadir a casa do ex-marido e prensar uma criança e dois adolescentes contra o portão de uma residência, em Goiânia. O caso aconteceu na segunda-feira (29), no bairro Parque Industrial. Segundo a Polícia Civil, a suspeita não aceitava o fim do relacionamento e teria ido até o local motivada por ciúmes. As vítimas sofreram escoriações e precisaram de atendimento médico.
De acordo com o termo da audiência de custódia, uma criança de 10 anos e dois adolescentes, de 12 e 14 anos, brincavam na calçada quando foram atingidos e prensados contra o portão após a mulher acelerar o veículo em direção ao imóvel. O episódio teria ocorrido depois que o ex-marido se recusou a sair para atendê-la e, em seguida, a atual companheira dele pediu que ela deixasse o local, o que não foi aceito.
Ao analisar o caso, o juiz Eduardo Pio Mascarenhas da Silva converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva e considerou a conduta como tentativa de homicídio.
“Diante da gravidade concreta dos fatos, vislumbro clarividente que, no presente, nenhuma das medidas cautelares diversas da prisão seria suficiente e adequada para resguardar a ordem pública”, afirmou o magistrado na decisão.
As vítimas foram socorridas inicialmente para o Cais Vila Nova e, posteriormente, encaminhadas ao Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol).
Segundo a Polícia Civil, testemunhas relataram que a biomédica foi até a residência do ex-companheiro por não aceitar o término da relação. A corporação informou que ela tentou invadir o imóvel utilizando o automóvel, colocando em risco as pessoas que estavam na frente da casa.
Em entrevista à TV Anhanguera, o tenente Bruno Nonato, do 38º Batalhão da Polícia Militar, afirmou que o caso tem características de crime passional e revelou que o ex-marido relatou um histórico de conflitos entre os dois.
“O ex-marido chegou a relatar às equipes policiais que essas discussões e brigas deles são comuns, só que não tinha chegado a um caso tão grave”, declarou o policial.
Após o ocorrido, moradores reagiram e agrediram a mulher. Conforme a Polícia Militar, o veículo utilizado por ela também foi depredado.
A defesa da biomédica, representada pelo advogado André Tracz de Paula Louro, contestou a versão apresentada pela polícia e negou que tenha ocorrido tentativa de atropelamento. Segundo ele, a cliente apenas tentava deixar o local após ser atacada por populares.
“Não houve nenhuma tentativa de atropelamento. Isso aí é falso, não existe. O que houve ali foi uma tentativa de ela sair do local por conta do linchamento”, afirmou o advogado.
Ainda de acordo com a defesa, a mulher sofreu diversas lesões durante as agressões. “Ela quebrou o seio maxilar, o nariz e está com o olho roxo. Ela foi realmente linchada. Ela foi agredida ali de forma desleal, de forma até abusiva. Ela não teve muita chance de reação, não teve auxílio de ninguém”, disse.
O advogado informou ainda que a cliente possui laudo psiquiátrico e fazia uso de medicamentos controlados no momento da ocorrência. “Tanto que, quando ela chegou ao hospital, ela estava sem conseguir falar. Tanto por conta das agressões quanto pelo uso dos medicamentos”, declarou.
A defesa informou que pretende recorrer da decisão judicial e solicitar a liberdade da biomédica.











