O cancelamento do show de Gusttavo Lima em Surubim, no Agreste de Pernambuco, desencadeou uma troca pública de acusações entre o cantor e o prefeito do município, Cléber Chaparral (União Brasil). Após a apresentação ser cancelada por problemas de saúde do artista, o gestor municipal subiu ao palco, chamou o sertanejo de “ladrão” diante do público e exigiu a devolução do cachê de R$ 1,353 milhão. Em resposta, Gusttavo afirmou que o valor já havia sido restituído à prefeitura, classificou as declarações como “pesadas” e “injustas” e anunciou que adotará medidas contra o prefeito.
O show estava marcado para a noite de sábado (27), mas foi cancelado poucas horas antes do início. Segundo Chaparral, o município havia efetuado o pagamento de R$ 1,353 milhão ao artista. Durante discurso no palco, o prefeito pediu desculpas ao público e criticou duramente o cantor.
“Tu não precisa de dinheiro da prefeitura, tu é rico. Você faltou com respeito com o povo surubinense. Seja homem, devolva o dinheiro da prefeitura”, declarou.
Em outro momento, Chaparral chamou o sertanejo de “um ladrão de consciência” e “ladrão do dinheiro do povo”. O prefeito ainda afirmou que os equipamentos da banda permaneceriam retidos até que a situação fosse resolvida.
“Está na minha responsabilidade, mas só sai quando tu se retratar”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Eu não conheço uma música de Gusttavo Lima, não sou fã dele, eu trouxe ele para cá porque o povo pediu.”
No mesmo dia, Gusttavo Lima havia realizado uma apresentação em Caruaru, cidade localizada a cerca de 77 quilômetros de Surubim. Pouco depois do cancelamento, o cantor publicou um vídeo nas redes sociais explicando que sofreu uma intoxicação alimentar.
“Mil desculpas por não comparecer ao show de hoje. Intoxicação alimentar. Traduzindo: caganeira mesmo. Estou com uma diarreia absurda, fraco, suando frio. Me perdoem”, escreveu o artista, pedindo aos fãs que aguardassem o anúncio de uma nova data.
Após a repercussão das declarações do prefeito, Gusttavo Lima afirmou que o cachê referente ao show cancelado já havia sido devolvido ao município e acusou a administração de impedir temporariamente a saída de sua equipe da cidade.
“O cachê já foi devolvido. Ainda fizeram cárcere privado com a nossa banda e equipe. Estão saindo de lá agora. Isso é crime”, declarou.
O sertanejo explicou que começou a apresentar sintomas dias antes, durante a intensa agenda de apresentações do São João. Mesmo debilitado, ele afirmou que ainda conseguiu cumprir um show na sexta-feira (26), em Maracanaú, na região metropolitana de Fortaleza.
“Nunca cancelei um show na minha vida por motivo assim. Foram 10 shows seguidos, apresentações de duas horas, só eu no palco. Da quarta para quinta-feira comecei a passar mal. Quando cheguei a Fortaleza, já estava cansado, com os olhos marejados e sem apetite. Acho que foi uma virose.”
Segundo o artista, cancelar a apresentação foi uma decisão tomada por responsabilidade. “Independentemente do valor do contrato ou do dinheiro, doença tem que ser tratada com responsabilidade acima de tudo. Chamar alguém de ladrão por adoecer é pesado, é injusto. Ninguém escolhe ficar doente.”
Gusttavo também rebateu as críticas de que artistas deveriam subir ao palco independentemente das condições de saúde e relembrou um episódio ocorrido em 2019.
“Jamais cancelaria um show se pudesse evitar. A gente não tem bola de cristal. Um grande erro é achar que artista é máquina. A gente é ser humano da mesma forma.”
O cantor contou que, na ocasião, chegou a se apresentar mesmo gravemente debilitado. “Em 2019, cantei com um cateter em cada braço, tomando doses de adrenalina. Tinha 45 mil pessoas esperando. Custei a sair do palco e fiquei uma semana internado com salmonella.”
Além de confirmar que pretende tomar medidas judiciais contra Cléber Chaparral, Gusttavo Lima afirmou que as acusações ignoram sua trajetória e o trabalho beneficente desenvolvido ao longo da carreira.
“As palavras ferem, destroem reputações. Todo mundo conhece o meu compromisso. Eu acho que já fiz mais pelo povo do que esse prefeito. Todo mundo conhece minha luta, minha preocupação com as pessoas e meu trabalho beneficente. Meus dois cachês de Barretos vão para o Hospital do Câncer. A gente faz um trabalho muito sério para alguém te ferir desse jeito. Está faltando empatia.”
O artista também comentou as ofensas feitas pela cantora Rafa Alyce BB, que o chamou de “filho da puta” ao assumir o palco após o cancelamento do show. Emocionado, Gusttavo pediu respeito à memória de sua mãe, falecida em 2015.
“Eu sou um cara público, mas a minha mãe tem que ser respeitada. Ela precisa lembrar que também é uma mulher e tem uma mãe.”
O sertanejo ainda relembrou um show recente em que se emocionou ao falar da mãe. “Escutar isso depois de um momento tão sensível é muito chato. Eu até me emociono.”











