O presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, solicitou uma reunião bilateral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a cúpula do G7, realizada nesta semana. A informação foi confirmada por uma fonte do governo brasileiro. Lula sinalizou que está disposto a se encontrar com o líder ucraniano, mas a agenda ainda não foi confirmada. Caso o encontro aconteça, a única possibilidade será nesta quarta-feira (17), último dia do evento.
A iniciativa de Zelenski ocorre em meio aos esforços da Ucrânia para ampliar o apoio internacional e aumentar a pressão sobre o presidente russo, Vladimir Putin, em busca de um acordo que coloque fim ao conflito iniciado com a invasão russa ao território ucraniano. O líder ucraniano foi um dos principais focos das discussões desta terça-feira (16), durante uma sessão especial dedicada à guerra.
A possível reunião entre Lula e Zelenski acontece após um histórico de divergências entre os dois chefes de Estado. No passado, o presidente ucraniano chegou a criticar a postura do governo brasileiro em relação à Rússia, especialmente pela proximidade diplomática de Lula com Putin. Apesar dos atritos, ambos se encontraram durante a última Assembleia-Geral da ONU, sinalizando uma tentativa de reaproximação.
A cúpula do G7 começou na segunda-feira (15) e reúne os líderes da Alemanha, Reino Unido, Canadá, França, Itália, Japão e Estados Unidos, além de chefes de Estado convidados. Lula recebeu o convite da presidência francesa em fevereiro, mas confirmou sua participação apenas no início deste mês.
Desde sua chegada ao encontro, o presidente brasileiro intensificou a agenda diplomática. Na segunda-feira, reuniu-se com o presidente francês, Emmanuel Macron, e com o presidente da Suíça, Guy Parmelin. Já nesta terça-feira, Lula teve encontros com os líderes da União Europeia, Ursula von der Leyen e António Costa.
Durante a reunião, Brasil e União Europeia decidiram criar um canal bilateral de diálogo para tratar das recentes restrições impostas pelo bloco europeu a produtos brasileiros dos setores de proteína animal e siderurgia.
Em comunicado oficial, o Palácio do Planalto afirmou que “os três trataram de temas da agenda bilateral, em particular das medidas de restrição a produtos brasileiros adotadas recentemente pela parte europeia”.
Ainda segundo a nota, foi definido “um mecanismo bilateral entre o Itamaraty e funcionários da Comissão, com vistas a identificar as dificuldades, tanto na área de produtos de origem animal quanto nos produtos siderúrgicos”.
De acordo com o Itamaraty, a iniciativa busca encontrar soluções que atendam tanto às preocupações regulatórias europeias quanto aos interesses dos exportadores brasileiros. Integrantes do governo ressaltaram que o mecanismo não terá caráter institucional permanente, funcionando como um canal técnico de diálogo entre diplomatas e assessores das duas partes.
Zelenski é recebido pelos líderes do G7 enquanto Trump mantém distância
Antes da sessão de trabalho dedicada à guerra, intitulada “Construindo a paz e a segurança para a Ucrânia e a Europa”, Zelenski foi recebido pelo presidente francês Emmanuel Macron. O encontro reuniu os líderes das principais economias do mundo e durou mais de uma hora.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou atrasado à reunião e não cumprimentou Zelenski na chegada. O líder ucraniano, porém, recebeu um abraço do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e foi calorosamente recepcionado pelos demais chefes de governo presentes.
Mesmo diante das crescentes dúvidas sobre o comprometimento dos Estados Unidos com as pautas europeias, Trump e Zelenski foram posicionados em lados opostos de Macron durante a reunião, gesto interpretado como uma tentativa de manter Washington envolvido nas discussões sobre o futuro da Ucrânia.
As conversas ocorreram poucos dias após Trump anunciar um acordo para encerrar a guerra entre Estados Unidos e Irã. Durante a cúpula, o presidente americano afirmou ter conversado recentemente tanto com Zelenski quanto com Putin.
“Agora que isso acabou, vamos nos concentrar nisso”, declarou Trump ao comentar o conflito ucraniano.
Nas últimas semanas, a escalada das tensões envolvendo o Irã havia reduzido a atenção internacional sobre a guerra na Ucrânia. No entanto, o conflito voltou ao centro das discussões após a Rússia lançar centenas de drones e dezenas de mísseis contra grandes cidades ucranianas poucas horas antes da abertura da cúpula.
Segundo autoridades locais, os ataques deixaram ao menos 11 mortos e provocaram incêndios em diversas áreas, incluindo um importante local religioso do país.
Diante do cenário, Macron afirmou que pretende trabalhar para convencer Trump a manter o apoio à Ucrânia e ampliar a pressão internacional sobre Moscou para que a Rússia aceite negociar um acordo de paz.











