Os vereadores de Rio Verde aprovaram, na última sexta-feira (12), o Projeto de Lei nº 89/2026, que reconhece o Terreiro de Umbanda 7 Encruzilhadas como entidade de utilidade pública. A proposta, de autoria do vereador Dieison Lima (UB), foi aprovada por 12 votos favoráveis e 5 contrários, mas provocou um intenso debate no plenário da Câmara Municipal, com manifestações sobre liberdade religiosa, representatividade e convicções de fé.
Durante a discussão, parlamentares justificaram seus posicionamentos diante da matéria. Entre os votos contrários, a vereadora Nayara Barcelos afirmou que sua decisão foi baseada em princípios religiosos pessoais. Apesar de destacar que respeita as religiões de matriz africana, ela ressaltou diferenças em suas crenças.
“O Deus que nós servimos não é o Deus do candomblé”, declarou. Em seguida, acrescentou: “Esse é um posicionamento cristão. Espiritualmente são deuses bem distintos do nosso Deus”.
Em defesa do projeto, o vereador Iran Cabral (PL) alertou para o risco de preconceito contra a comunidade espírita e destacou a relevância social do trabalho desenvolvido pelos praticantes da religião no município.
“Depois, não vai pedir voto na comunidade espírita”, afirmou o parlamentar ao defender a aprovação da proposta.
Outro vereador favorável à matéria foi Gerlos de Morais (UB), que destacou a importância da pluralidade religiosa e da convivência respeitosa entre diferentes crenças.
“Votar num projeto dessa ordem não significa que você cultua ou é adepto daquela religião”, disse. Segundo ele, a segregação religiosa transmite a ideia equivocada de que apenas uma crença está correta.
A votação também registrou uma situação incomum. O vereador Enildo Cabral (PRD) informou posteriormente que havia se equivocado no momento da votação. Inicialmente registrado como favorável ao projeto, ele solicitou a correção do voto em ata, esclarecendo que sua posição era de caráter pessoal e que não tinha a intenção de desrespeitar qualquer religião.
Com a aprovação do Projeto de Lei nº 89/2026, o Terreiro de Umbanda 7 Encruzilhadas passa a ser reconhecido oficialmente como entidade de utilidade pública no município, consolidando um debate que evidenciou diferentes visões sobre liberdade religiosa e representação institucional no Legislativo rio-verdense.











