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EUA classificam PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas

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O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28) que irá designar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). A medida, divulgada em comunicado oficial do Departamento de Estado norte-americano, passa a valer a partir do próximo dia 5 de junho.

Segundo o governo dos EUA, a decisão foi tomada com base na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade (Immigration and Nationality Act) e em uma ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump. As designações entram oficialmente em vigor após publicação no Federal Register.

No comunicado, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, classificou o PCC e o CV como “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil” e afirmou que ambas possuem alcance internacional.

“Juntas, elas comandam milhares de membros e têm orquestrado ataques brutais contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis. Sua influência e suas redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, alcançando toda a nossa região e também o nosso país”, declarou Rubio.

A decisão provocou preocupação dentro do governo brasileiro, que vinha tentando, nos últimos meses, evitar a classificação das facções como grupos terroristas. A avaliação de setores diplomáticos e de segurança é de que a medida pode abrir caminho para ações mais agressivas dos EUA em território brasileiro, além da possibilidade de sanções econômicas e financeiras.

Especialistas em segurança internacional também alertam para riscos relacionados à soberania nacional. Segundo analistas, a nova classificação pode alterar os protocolos de cooperação investigativa entre Brasil e Estados Unidos, reduzindo o compartilhamento direto de informações entre órgãos policiais e centralizando dados em agências de inteligência norte-americanas, como a CIA, ou até mesmo em estruturas militares.

Na prática, essa mudança poderia comprometer investigações conjuntas em andamento e dificultar futuras operações de cooperação internacional no combate ao crime organizado.

A medida ocorre em meio à nova estratégia geopolítica adotada pelo governo Donald Trump para a América Latina. Desde o início do mandato, Washington vem ampliando ações sob a justificativa de combater o chamado “narcoterrorismo”.

Nos últimos meses, forças militares norte-americanas realizaram bombardeios contra embarcações no Caribe fora da jurisdição dos EUA, alegando combate ao terrorismo ligado ao tráfico internacional de drogas. A invasão do território venezuelano, que culminou na deposição e captura do então presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, também foi justificada sob esse mesmo argumento.

Diante desse cenário, especialistas avaliam que o alcance de ações semelhantes envolvendo o território brasileiro, embora ainda incerto, passa a ser considerado um risco concreto após a nova classificação das facções.

No início deste mês, durante visita oficial aos Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com Donald Trump na Casa Branca para discutir mecanismos de cooperação entre os dois países voltados ao enfraquecimento financeiro de organizações criminosas transnacionais. Segundo Lula, o encontro não tratou especificamente do PCC e do Comando Vermelho.

O anúncio feito por Marco Rubio também coincidiu com agendas políticas realizadas em Washington nesta semana. Na terça-feira (26), o secretário de Estado se reuniu com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. Um dia antes, Flávio havia participado de encontro com Donald Trump na Casa Branca ao lado do irmão, Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal que atualmente vive nos Estados Unidos.

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