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“Sucesso é olhar para minha trajetória e perceber o quanto evoluí”: dentista de Caçu transforma desafios em inspiração para outras mulheres 

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Entre viagens diárias, gravidez de risco e o medo constante de desistir, a cirurgiã-dentista Juliana Belotti construiu uma trajetória marcada pela superação. Hoje, formada em Odontologia, especialista em Endodontia e em especialização em Harmonização Orofacial, ela se tornou referência em Caçu e transformou uma história de dor em inspiração para outras mulheres.

A trajetória da cirurgiã-dentista Juliana Belotti de Souza Segovia, começou oficialmente em 2015, quando ingressou no curso de Odontologia da Universidade de Rio Verde (UniRV). Mas, antes da aprovação no vestibular, a profissional enfrentava um dos momentos mais difíceis de sua vida: a perda do segundo bebê.

Em meio ao luto e à frustração, foi o incentivo do marido (que já atuava na área odontológica) que mudou completamente sua história. Na época, Juliana cursava Administração a distância e trabalhava como auxiliar no consultório do esposo, ajudando principalmente nos atendimentos ligados à Endodontia, especialidade pela qual acabou se apaixonando.

“Meu esposo, que já era formado na área, me perguntou: ‘Por que você não troca de curso?’. O consultório tinha muito movimento e ele queria que eu o ajudasse principalmente na área da Endodontia. A sorte dele foi que eu me apaixonei pela Endo”, relembra.

Moradora de Caçu, Juliana passou a enfrentar uma rotina intensa para conseguir concluir a graduação. Durante cinco anos, saía de casa diariamente às 5h30 da manhã para percorrer a estrada até Rio Verde.

“As dificuldades foram ao longo dos cinco anos. Saía de Caçu todos os dias às 05h30 da manhã, pegava estrada eu e Deus. Em semanas de provas, com medo de atrasar, saía ainda mais cedo”, conta.

A rotina exaustiva trouxe momentos de tensão. A dentista relata episódios perigosos na estrada, incluindo aquaplanagem, colisões leves e até momentos em que chegou a cochilar ao volante após dias cansativos de aula e estágio.

“Já tive aquaplanagem com o carro e fui parar na pista contrária. Cheguei a cochilar no volante. Madrugada, caminhão vindo com luz alta… uma vez tinha um pedaço de bambu na pista e acabei batendo o carro de leve. Mas em todo o tempo Deus estava comigo e me guardando todos os dias”, afirma.

No penúltimo ano da faculdade, devido à carga intensa de atividades noturnas na clínica universitária, Juliana e o marido decidiram alugar uma kitnet em Rio Verde para reduzir os deslocamentos. Foi justamente nesse período que recebeu uma notícia inesperada: estava grávida de 12 semanas.

A descoberta trouxe felicidade, mas também desespero. Após sofrer duas perdas gestacionais anteriores, Juliana havia sido diagnosticada com SAF (Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide), condição que exige acompanhamento rigoroso durante a gestação.

“Fiquei desesperada, porque já havia perdido dois bebês. Fiz exames para descobrir o motivo das perdas e fui diagnosticada com SAF. Então, não poderia ter uma gestação sem planejar e fazer um tratamento prévio”, relata.

A partir dali, a gravidez passou a ser acompanhada de perto, com uso diário de medicação e medo constante de uma nova perda. Mesmo assim, Juliana seguiu firme entre aulas, estágios e atendimentos clínicos.

“Conversava com ela para aguentar firme. Tinha clínicas intensas, maletas pesadas para carregar, medo de perder aulas, mas foi uma gravidez abençoada”, lembra ao falar da filha Helena.

Para conseguir concluir a graduação, a rede de apoio familiar foi fundamental. Os pais deixaram a cidade natal, Bebedouro (SP), e se mudaram temporariamente para Goiás para ajudá-la nos cuidados com a bebê enquanto ela frequentava as aulas em Rio Verde.

“O dia que mais me senti realizada foi na minha colação de grau. Em uma mão, o diploma; nos braços, minha tão amada e desejada filha, já com um aninho”, recorda emocionada.

Atualmente, Juliana atua ao lado de seu esposo, Dr. Cleiton Guimarães Segovia, na clínica Guimarães & Belotti Odontologia, em Caçu, onde tem como maior propósito devolver autoestima e confiança aos pacientes

“Para mim, o sucesso é olhar para minha trajetória e perceber o quanto evoluí, quantas vidas consegui impactar positivamente e quantos pacientes voltaram a sorrir com mais confiança e autoestima”, destaca.

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