A nefrolitíase, popularmente conhecida como pedra nos rins, pode representar riscos importantes durante a gravidez e exigir acompanhamento médico imediato. O alerta é da médica nefrologista Isabela Oliveira, que chama atenção para o aumento das complicações causadas pela condição em gestantes, incluindo infecções urinárias graves, internações e até parto prematuro.
Segundo a especialista, as mudanças hormonais e anatômicas da gestação favorecem o surgimento dos cálculos renais. “Durante a gestação, ela merece atenção especial porque as alterações hormonais e anatômicas da gravidez podem dificultar o fluxo da urina, aumentar o risco de infecção urinária e favorecer dor intensa”, explica.
De acordo com Dra. Isabela, a dilatação natural das vias urinárias e a compressão do útero sobre os ureteres contribuem diretamente para o problema. Além disso, o aumento da eliminação de cálcio na urina e a maior estase urinária também favorecem a formação das pedras nos rins.
Os principais sintomas incluem dor lombar intensa, dor abdominal, náuseas, vômitos, desconforto ao urinar e presença de sangue na urina. Em alguns casos, a paciente também pode apresentar febre, o que acende um alerta para possíveis infecções associadas.
A médica destaca que, quando não tratada corretamente, a nefrolitíase pode trazer consequências sérias para a saúde da mãe e do bebê. “Pode aumentar o risco de infecção urinária grave, internação, parto prematuro e sofrimento materno importante”, afirma.
Para o diagnóstico, o ultrassom é considerado o exame mais seguro durante a gravidez, justamente por não expor a gestante e o bebê à radiação. Outros exames podem ser avaliados apenas em situações específicas e com indicação médica criteriosa.
O tratamento também muda durante a gestação e deve ser conduzido de forma individualizada, priorizando hidratação, controle da dor e acompanhamento contínuo. Alguns medicamentos utilizados fora da gravidez, especialmente determinados anti-inflamatórios, podem ser evitados dependendo da fase gestacional.
Em quadros mais graves, a internação pode ser necessária. Segundo a nefrologista, situações como febre, infecção urinária, obstrução importante da via urinária, alteração da função renal ou dor intensa sem controle exigem cuidados hospitalares e, em alguns casos, procedimentos para drenagem urinária.
A especialista ainda explica que os casos costumam ser mais frequentes no segundo e terceiro trimestre da gravidez, período em que a compressão do útero sobre as vias urinárias é maior.
Na prevenção, a principal orientação é manter uma boa hidratação ao longo de toda a gestação, além de evitar excesso de sal, alimentos ultraprocessados e consumo exagerado de proteínas animais. Mulheres com histórico anterior de pedra nos rins também devem redobrar os cuidados, já que possuem maior risco de novos episódios durante a gravidez.
Por fim, Dra. Isabela reforça a importância de não ignorar os sinais do corpo durante a gestação. “O diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado ajudam a proteger a saúde da mãe e do bebê durante toda a gestação”, conclui.











