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Técnica de enfermagem descobre que está registrada como presidente da República por tempo indeterminado

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O que deveria ser apenas mais uma tentativa de voltar ao mercado de trabalho terminou em choque, constrangimento e revolta para a técnica de enfermagem Aldenize Ferreira da Silva, moradora de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. Ao procurar uma vaga na Agência do Trabalhador, ela descobriu que aparece registrada há mais de 24 anos como ocupante do cargo de “presidente da República” em sistemas oficiais de emprego e previdência.

O caso veio à tona após a trabalhadora ter o CPF consultado por um atendente da unidade, que identificou um vínculo empregatício em aberto desde 14 de março de 2002. Segundo o sistema, Aldenize estaria empregada até hoje no cargo máximo do Executivo federal, com vínculo ligado à prefeitura de Jaboatão dos Guararapes. O salário inicial registrado era de R$ 201,60 e a última remuneração lançada foi de R$ 15,42, em dezembro de 2002.

A situação também aparece na Carteira de Trabalho Digital da ex-servidora. Após a repercussão do caso, outras duas mulheres relataram ter encontrado o mesmo registro irregular em seus cadastros.

Em entrevista, Aldenize contou que se formou como técnica de enfermagem em 2023 e, desde então, busca uma oportunidade formal de trabalho. Segundo ela, nunca havia conseguido vaga nas tentativas anteriores, mas desta vez saiu da agência assustada após a descoberta.

“O rapaz pega meu CPF, coloca lá no sistema. Ele olha para mim e diz assim: ‘a senhora está de brincadeira comigo, né?’. Aí eu disse: ‘de brincadeira? Como assim?’. Ele disse: ‘como é que a senhora trabalha há 24 anos e 2 meses e a senhora tem o cargo de presidente da República desde o dia 14 de março de 2002? E a senhora tem a cara de pau de vir aqui atrás de emprego”, relatou.

A técnica de enfermagem afirmou que, até então, utilizava apenas a carteira de trabalho física e só instalou a versão digital após a conversa com o atendente. Segundo ela, o único período em que trabalhou para a prefeitura ocorreu entre 2000 e 2002, quando atuou como merendeira e auxiliar de serviços gerais em uma escola rural da comunidade de Manassu.

De acordo com Aldenize, o contrato nunca chegou a ser formalmente encerrado na carteira de trabalho. Ela acredita que o erro cadastral pode estar dificultando sua recolocação profissional.

“Acho que eu não estou arrumando emprego mesmo por conta desse problema, porque vai ver que [o vínculo] está em aberto”, afirmou.

A trabalhadora disse ainda que ficou emocionalmente abalada ao descobrir o erro. Desempregada há anos, ela relata sobreviver de trabalhos informais como cuidadora de idosos, acompanhante hospitalar e faxineira.

“Na hora me deu uma pane, assim, que eu me senti mal. Pensei em mil coisas, só pensei em coisas que poderiam acontecer, de eu ir presa, porque isso é falsificação. Não (fui) eu que provoquei isso aí. […] Me senti constrangida, me senti como se eu fosse um palhaço fazendo graça pra um público”, desabafou.

Em nota, a prefeitura de Jaboatão dos Guararapes informou que o problema foi causado durante a migração de dados do antigo Sistema Empresa de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (SEFIP) para o e-Social. Segundo a administração municipal, houve registros equivocados de servidores em um “cargo comissionado genérico como presidente da República” em algumas bases de dados.

A gestão orientou Aldenize a procurar a Unidade de Gestão de Pessoas (UGEP), localizada no Palácio da Batalha, sede da prefeitura, para regularizar a situação. O município afirmou ainda que adotou medidas internas para evitar novos casos semelhantes e reforçou o compromisso com a correção das inconsistências cadastrais.

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