O CEO da LATAM Brasil, Jerome Cadier, afirmou nesta terça-feira (5) que o fim da escala de trabalho 6×1, nos moldes atualmente debatidos no Congresso Nacional, pode comprometer diretamente a operação de voos internacionais no país. A declaração foi feita durante a coletiva de resultados do primeiro trimestre da companhia.
De acordo com o executivo, propostas em tramitação incluem pilotos e tripulantes nas mudanças da jornada de trabalho, o que, segundo ele, inviabilizaria a realização de voos com duração superior a oito horas. Esse intervalo abrange a maior parte das rotas intercontinentais operadas a partir do Brasil, consideradas estratégicas para o setor aéreo.
Cadier argumentou que a atividade dos aeronautas possui especificidades que exigem maior flexibilidade nas escalas, sobretudo em voos de longa distância, que frequentemente ultrapassam os limites previstos nas propostas. Para ele, a inclusão desses profissionais nas novas regras pode gerar impactos operacionais significativos, reduzindo a capacidade das companhias de manter rotas internacionais.
Dados da Associação Brasileira das Empresas de Serviços Auxiliares de Transporte Aéreo indicam que 53,2% dos trabalhadores formais do setor aéreo no Brasil atuam atualmente sob o regime 6×1. A entidade aponta ainda que a eventual adoção do modelo 5×2 em operações contínuas pode elevar os custos operacionais em pelo menos 20%, pressionando ainda mais o setor.
A discussão sobre a mudança na escala de trabalho ocorre em meio a debates mais amplos sobre direitos trabalhistas e condições de trabalho no país, mas já acende o alerta entre representantes da aviação civil quanto aos possíveis impactos econômicos e logísticos.











