A Justiça de Quirinópolis decretou a prisão preventiva de um homem de 52 anos investigado por descumprir medidas protetivas de urgência e ameaçar a ex-companheira, após ele supostamente utilizar o próprio filho adolescente para articular crimes. A decisão atendeu a um pedido do Ministério Público de Goiás, diante da gravidade das evidências reunidas.
O mandado foi cumprido pela Polícia Civil no Distrito Agroindustrial do município, após determinação da Vara Criminal local. Segundo o MPGO, o investigado já estava submetido a restrições impostas em novembro de 2025, que proibiam sua aproximação da vítima a menos de 300 metros, qualquer tipo de contato e visitas aos filhos menores. Mesmo assim, ele teria desrespeitado reiteradamente as ordens judiciais.
O caso ganhou novos contornos no dia 22 de abril deste ano, quando vieram à tona áudios enviados pelo suspeito ao filho do casal, de 15 anos, por meio do aplicativo WhatsApp. Nas mensagens, o homem orienta o adolescente a conseguir uma arma de fogo com terceiros, descreve o uso de uma motocicleta para a execução de um crime e detalha a criação de um álibi. Ele também manifesta, de forma explícita, a intenção de matar a ex-companheira, o atual parceiro dela e outras pessoas.
Diante das provas, o Ministério Público apontou indícios da prática de crimes como corrupção de menor, ameaça e descumprimento de medida protetiva. Para o órgão, os áudios constituem prova direta e contemporânea das condutas atribuídas ao investigado.
Ao analisar o caso, a juíza Bruna de Oliveira Farias destacou a gravidade das ações e reforçou a importância das medidas previstas na Lei Maria da Penha. Segundo a magistrada, há indícios robustos de que o homem descumpriu deliberadamente as determinações judiciais, inclusive ao utilizar o filho como intermediário para manter contato indireto com a vítima.
A decisão também determinou a abertura de um inquérito policial autônomo para aprofundar a investigação e o envio de ofícios ao Conselho Tutelar e ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), que devem acompanhar o adolescente e sua família com suporte psicossocial.











