A pecuária de corte brasileira deve atravessar 2026 em um cenário marcado pela redução na oferta de animais, valorização da carne bovina e maior atenção dos produtores à reposição do rebanho. A projeção foi apresentada pelo consultor da HN Agro, Hyberville Neto, médico-veterinário formado pela UFMS e mestre em Administração pela FEA-RP/USP, durante palestra na Tecnoshow sobre os principais fatores que devem impactar o setor no próximo ano.
Segundo o especialista, o principal eixo para compreender o atual ciclo pecuário é a oferta de animais, fator que, na avaliação dele, explica boa parte do comportamento recente do mercado e das tendências para 2026. Hyberville destacou que o setor começou a sentir, ainda em 2022, um aumento na oferta de bezerros, movimento acompanhado por uma queda na rentabilidade da cria entre 2022 e 2024.
Outro ponto considerado decisivo foi o elevado abate de fêmeas registrado entre 2022 e 2025. De acordo com ele, havia expectativa de desaceleração desse movimento já em 2025, o que não se confirmou. Agora, no entanto, começam a surgir sinais de redução, o que deve alterar diretamente a estrutura da oferta nos próximos meses e influenciar os preços ao longo de 2026.
Na prática, a diminuição do abate de matrizes tende a restringir a disponibilidade de animais para o mercado no curto prazo, o que pode sustentar a valorização da arroba e da carne bovina, além de exigir planejamento mais criterioso por parte dos pecuaristas, especialmente no que se refere à reposição.
No cenário interno, as eleições de 2026 aparecem como um fator de atenção para o setor. Apesar disso, Hyberville avalia que o ambiente econômico ainda se mostra favorável. Conforme a análise apresentada, um eventual crescimento da economia pode amenizar impactos negativos sobre o consumo interno e favorecer o escoamento da produção.
No mercado externo, o Brasil segue em posição estratégica no comércio global de carne bovina, mesmo diante de incertezas relacionadas a conflitos geopolíticos, cotas de exportação e questões sanitárias. A China permanece como principal destino da carne bovina brasileira, seguida pelos Estados Unidos e pelo Chile.
A perspectiva internacional também é considerada positiva para o próximo ano. A expectativa é de que os Estados Unidos mantenham um ritmo forte de compras, contribuindo para a sustentação dos preços e da firmeza do mercado. Além disso, novos destinos podem ganhar relevância nas exportações brasileiras, com países como Japão e Coreia do Sul entrando no radar do setor.











