O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que a possível candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), à Presidência da República pode impactar diretamente o desempenho do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa eleitoral. A leitura no Palácio do Planalto é de que a entrada de Caiado no cenário nacional tende a fragmentar o eleitorado de direita, beneficiando o atual chefe do Executivo.
De acordo com integrantes do governo, o perfil mais conservador de Caiado o coloca em rota de colisão com Flávio Bolsonaro na disputa por eleitores da centro-direita e da direita. Nesse cenário, a avaliação é de que o senador teria de endurecer ainda mais o discurso para se diferenciar, o que poderia afastar votantes moderados, público considerado estratégico para a reeleição de Lula.
Dentro do Planalto, há o entendimento de que uma eventual candidatura do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), representaria um risco maior ao presidente. Isso porque Leite teria maior capacidade de atrair eleitores de centro, ampliando sua competitividade contra Lula.
A análise governista também aponta que a disputa direta entre Caiado e Flávio tende a reduzir o foco de ataques ao atual presidente, ao deslocar o embate para dentro do próprio campo da direita. Essa fragmentação poderia favorecer Lula ao diluir a oposição.
Por outro lado, aliados de Flávio Bolsonaro no Partido Liberal (PL) reconhecem a sobreposição de eleitorado entre os dois nomes, mas avaliam que Caiado pode funcionar como uma espécie de reforço indireto contra o governo petista. A estratégia seria intensificar críticas à gestão federal e estimular o sentimento de mudança entre os eleitores.
Em entrevista à CNN Brasil, Ronaldo Caiado evitou confirmar se aceitaria um acordo de não-agressão com Flávio Bolsonaro durante a campanha, mantendo indefinição sobre uma possível articulação conjunta no campo oposicionista.











