A saúde da mulher exige muito mais do que conhecimento técnico e domínio de procedimentos médicos. Envolve escuta, acolhimento, respeito às escolhas individuais e acompanhamento de diferentes fases da vida. Essa perspectiva orienta a trajetória do Dr. Ricardo Abou Rjeili, ginecologista e obstetra reconhecido pelo Instituto Top List Goiás, em parceria com o Jornal Folha de Notícias, na categoria Ginecologista e Obstetra, em Rio Verde.
Ao longo de sua carreira, o médico construiu uma visão da assistência que integra experiência clínica, atualização científica e atenção às particularidades de cada paciente. Para ele, a ginecologia e a obstetrícia têm uma característica especial: são áreas que acompanham transformações íntimas e significativas, desde os cuidados preventivos e reprodutivos até a gestação, o parto e a menopausa.
A percepção sobre a importância desse cuidado integral começou a se consolidar ainda durante a residência médica. Foi nesse período que compreendeu como as queixas apresentadas no consultório podem estar relacionadas a diferentes aspectos da vida da mulher, incluindo sobrecarga, ansiedade, alterações hormonais e contextos familiares e sociais.
Essa experiência contribuiu para uma abordagem que considera não apenas os sintomas, mas também as circunstâncias em que cada paciente está inserida. Na obstetrícia, o acompanhamento de milhares de partos reforçou outra convicção: a mulher precisa ser respeitada como protagonista do próprio nascimento.
“Com o tempo e com a experiência de acompanhar milhares de partos, percebi que o meu papel principal não é o de comandar o nascimento, mas o de garantir a segurança e o suporte para que a mulher viva aquela experiência com autonomia, dignidade e respeito”, afirma o médico.
Humanização e segurança no cuidado materno
A assistência humanizada é um dos princípios destacados pelo Dr. Ricardo Abou Rjeili. Para ele, oferecer um atendimento de qualidade significa unir competência técnica, segurança clínica e sensibilidade diante das necessidades físicas e emocionais de cada paciente.
Na obstetrícia, essa combinação ganha importância especial porque as decisões médicas podem marcar profundamente a experiência de uma mulher e de toda a sua família. O objetivo, segundo o especialista, é garantir que o nascimento seja lembrado não apenas como um procedimento médico bem-sucedido, mas também como uma experiência de respeito e dignidade.
A convivência com gestantes e familiares também modificou a maneira como o médico compreende a própria atuação. Ao longo dos anos, ele aprendeu que não existe uma única experiência de gestação ou um modelo de atendimento que responda igualmente às necessidades de todas as famílias.
“Cada família é um universo único”, observa. Segundo ele, ouvir genuinamente os medos e os desejos de mães e casais é fundamental para construir uma assistência mais acolhedora. “O sucesso do meu trabalho não é impor caminhos, mas dar autonomia e segurança para que os pais trilhem a jornada deles com confiança.”
Essa compreensão também se reflete no acompanhamento contínuo da saúde feminina. Para o médico, atender uma paciente em diferentes etapas da vida permite fortalecer a prevenção e construir uma relação de confiança que pode se estender da juventude à gestação e, posteriormente, à menopausa.
Avanços tecnológicos transformam a especialidade
A ginecologia e a obstetrícia passaram por importantes transformações ao longo das últimas décadas, com avanços que ampliaram as possibilidades de prevenção, diagnóstico e tratamento. Entre os recursos destacados pelo Dr. Ricardo estão a vacinação contra o HPV, os testes de DNA para identificação do vírus, as cirurgias minimamente invasivas e os métodos contraceptivos reversíveis de longa duração, como implantes e dispositivos intrauterinos hormonais.
Ele também aponta a evolução das terapias de reposição hormonal como uma mudança relevante na área, assim como o aprimoramento dos recursos utilizados para acompanhar a gestação.
Na obstetrícia, o médico ressalta a valorização do parto normal com foco na humanização, os protocolos para condução de gestações de alto risco e a evolução dos exames de imagem. As ultrassonografias morfológicas, o ecodoppler colorido e as imagens em três e quatro dimensões estão entre as ferramentas que contribuem para o acompanhamento da saúde materna e do desenvolvimento fetal.
Para incorporar essas inovações à prática diária, o especialista procura equilibrar a experiência adquirida no consultório com as evidências científicas e os recursos tecnológicos disponíveis.
“A experiência clínica é a base, a ciência é o mapa e a tecnologia é nossa ferramenta”, resume. Ele explica que acompanha diretrizes da especialidade, discute casos com colegas e reserva períodos semanais para a leitura de artigos científicos, além de acompanhar conteúdos e orientações de entidades médicas das quais é membro, como a SOGESP e a SBUS.
O médico também defende que a tecnologia deve servir para aumentar a precisão dos diagnósticos, otimizar processos e melhorar a qualidade do atendimento, sem substituir a escuta e o contato humano. “Ela deve servir para otimizar processos, aumentar a precisão diagnóstica e, principalmente, me devolver o que há de mais precioso: tempo de qualidade para ouvir e examinar o paciente.”
Gestão hospitalar e fortalecimento da saúde regional
Além da atuação clínica, o Dr. Ricardo construiu uma trajetória ligada à gestão em saúde, experiência que ampliou sua compreensão sobre os desafios enfrentados pelos serviços hospitalares. Com quase duas décadas nessa área, ele destaca que oferecer assistência de qualidade depende não apenas da capacidade técnica dos profissionais, mas também de planejamento, organização de recursos, estrutura e integração das equipes.
Sua pós-graduação pelo Hospital Israelita Albert Einstein contribuiu para aprofundar essa perspectiva, especialmente em relação à sustentabilidade financeira, à governança clínica e à utilização eficiente dos recursos disponíveis.
“A prática médica na linha de frente nos dá a dimensão exata da dor e da necessidade imediata do paciente, mas é a gestão que nos permite construir as pontes para que o tratamento chegue com qualidade, segurança e sustentabilidade”, afirma.
Ao avaliar a saúde materno-infantil no Sudoeste Goiano, o médico considera a criação do Hospital Materno-Infantil Augusta Bastos, há três anos, um avanço importante para a assistência regional. Na avaliação dele, a estrutura ampliou a capacidade de atendimento e contribuiu para oferecer mais suporte a mães e crianças.
Ainda assim, o crescimento da região exige investimentos contínuos. Entre as prioridades apontadas pelo especialista estão o custeio dos serviços, a manutenção de equipes especializadas, a aquisição de insumos e o fortalecimento das unidades de terapia intensiva neonatais e pediátricas.
Ele também defende investimentos em infraestrutura e a descentralização da assistência, com atenção aos municípios vinculados às Regionais de Saúde Sudoeste 1 e 2. Outro ponto considerado fundamental é a qualificação da atenção básica, especialmente do pré-natal realizado nos municípios da região.
Na avaliação do médico, fortalecer o acompanhamento desde o início da gestação pode contribuir para prevenir complicações e melhorar a organização da rede de atendimento, permitindo que os hospitais estejam mais preparados para os casos de maior complexidade.
Compartilhamento de conhecimento para salvar vidas
A formação de novos profissionais e a troca de experiências também integram a visão do Dr. Ricardo sobre a qualidade da assistência. Em áreas como a obstetrícia, nas quais emergências podem exigir decisões rápidas, a preparação das equipes e a comunicação entre os profissionais são fatores essenciais para reduzir riscos.
O médico destaca a importância do trabalho desenvolvido no Hospital Materno-Infantil Augusta Bastos, que recebe estudantes do internato e programas de residência médica em Pediatria e Obstetrícia da Universidade de Rio Verde (UniRV).
Para ele, a integração entre profissionais experientes e médicos em formação favorece o compartilhamento de conhecimento e aproxima a prática clínica das evidências científicas mais recentes.
“Quando socializamos o saber e treinamos equipes de forma contínua, nós uniformizamos a linguagem do atendimento. Isso reduz drasticamente a margem de erro, mitiga riscos e garante que toda a linha de cuidado, do médico ao técnico de enfermagem, saiba exatamente como agir sob pressão”, explica.
Essa troca fortalece a atuação multidisciplinar e contribui para preparar as equipes para situações críticas, nas quais a segurança depende tanto do conhecimento individual quanto da capacidade de trabalhar de forma coordenada.
Reconhecimento em Rio Verde é motivo de gratidão
Receber o reconhecimento do Instituto Top List Goiás representa, para o Dr. Ricardo Abou Rjeili, uma oportunidade de celebrar uma trajetória construída com dedicação à medicina e à saúde da mulher. O médico ressalta que a conquista não é resultado de um trabalho individual, mas do esforço compartilhado com colegas, colaboradores, familiares e pacientes.
“Ver o trabalho de uma vida ser celebrado e, acima de tudo, pelo impacto positivo na vida de tantas pessoas, é algo verdadeiramente inesquecível”, afirma.
O especialista faz questão de dividir a homenagem com os profissionais que atuam ao seu lado no hospital e no consultório, incluindo médicos, enfermeiros, técnicos e suas duas secretárias, que o acompanham há mais de 20 anos. Também destaca o apoio da família e da esposa, sua companheira de vida e de caminhada nos últimos dez anos.
De maneira especial, dedica o reconhecimento às pacientes que confiaram a ele o cuidado com a própria saúde e com momentos importantes de suas vidas. Para o médico, essa relação é uma das principais motivações para continuar buscando excelência técnica e aprimoramento profissional.
O prêmio, segundo ele, não representa o encerramento de uma trajetória, mas um incentivo para seguir trabalhando. “Este troféu não representa um ponto de chegada, mas sim um combustível para continuar inovando, acolhendo e cuidando da saúde da mulher com a dignidade e o respeito que ela merece.”










