O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) apresentou 19 novas exigências para concordar com a abertura de seus sigilos bancários, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciar que aceitaria as condições anteriormente estabelecidas pelo adversário.
Segundo reportagem publicada pelo jornal O Tempo nesta quinta-feira (22), a nova lista foi protocolada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e amplia significativamente os pedidos de acesso a informações relacionadas ao presidente, seus familiares e pessoas ligadas ao governo federal.
A movimentação acontece na reta final das eleições presidenciais, cujo segundo turno está marcado para domingo, 25 de outubro.
O desafio teve início após o debate presidencial realizado pela Rede Bandeirantes, no domingo (18), quando Lula propôs que os dois candidatos autorizassem a divulgação de seus dados bancários, fiscais e telefônicos, incluindo informações de familiares.
Na quarta-feira (21), Flávio Bolsonaro declarou que aceitaria a proposta, desde que Lula também permitisse o acesso a informações relacionadas ao Instituto Lula, ao ex-assessor presidencial Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e a despesas vinculadas ao cartão corporativo utilizado pela primeira-dama Janja.
Poucas horas depois, a campanha petista anunciou que concordava com as condições e informou que enviaria representantes ao TSE para formalizar sua resposta.
Entretanto, ainda na noite de quarta-feira, Flávio apresentou uma nova lista com 19 exigências adicionais.
Novas exigências incluem filhos de Lula e empresas
Entre os principais pedidos apresentados pelo senador está a abertura dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e de sua esposa, Renata de Abreu Moreira.
A solicitação também abrange empresas ligadas ao casal, tanto no Brasil quanto no exterior.
Flávio Bolsonaro pediu ainda informações sobre companhias relacionadas aos demais filhos do presidente: Sandro Luís, Marcos Cláudio, Lurian Cordeiro e Luís Cláudio.
Outro nome incluído é José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão de Lula e vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados.
Os pedidos de acesso a essas informações não significam que as pessoas mencionadas tenham cometido irregularidades.
Banco Master também entra na lista
A nova relação de exigências inclui pedidos envolvendo o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Flávio Bolsonaro solicita informações sobre registros de visitas recebidas pelo empresário durante sua prisão na Superintendência da Polícia Federal, além de planos de voo e listas de passageiros de uma aeronave ligada a ele.
O senador também quer esclarecimentos sobre uma reunião realizada entre Lula e Vorcaro em dezembro de 2024, incluindo participantes, assuntos discutidos e registros do encontro.
Outro pedido envolve o histórico de entradas do ex-banqueiro nos Palácios do Planalto e da Alvorada.
Ex-ministros e pessoas ligadas ao PT são mencionados
A relação apresentada pelo candidato do PL também contempla informações sobre o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e Augusto Lima, que atuou no Banco Master.
Flávio solicita ainda registros de reuniões e viagens envolvendo Roberta Luchsinger, empresária apontada como próxima de Lulinha e citada em investigações.
Entre as informações pretendidas estão registros de acesso a prédios oficiais e eventuais viagens realizadas em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB).
A existência de contatos, reuniões ou deslocamentos não constitui, isoladamente, comprovação de atividade ilícita.
Lula enviou representantes ao TSE
Nesta quinta-feira (22), representantes da campanha de Lula compareceram ao Tribunal Superior Eleitoral para formalizar a documentação relacionada à proposta de abertura de sigilos do presidente e de seus familiares.
A iniciativa ocorre após a equipe petista anunciar que aceitaria as condições inicialmente apresentadas por Flávio Bolsonaro.
Apesar da movimentação das duas campanhas, não há confirmação de que os sigilos bancários e telefônicos dos candidatos tenham sido efetivamente quebrados ou que os dados estejam disponíveis para consulta pública.
A divulgação dessas informações depende dos procedimentos legais aplicáveis, inclusive quando envolve terceiros.
Troca de exigências ocorre às vésperas da votação
A sucessão de desafios e novas condições passou a ocupar espaço importante no debate político durante os últimos dias da campanha presidencial.
Lula e Flávio Bolsonaro têm utilizado a proposta de abertura de sigilos como instrumento para responder a questionamentos sobre relações financeiras e possíveis irregularidades envolvendo pessoas próximas.
Até a publicação das informações consultadas, não havia confirmação de um acordo definitivo entre as campanhas para a divulgação integral dos documentos solicitados.
Com apenas três dias até o segundo turno, a disputa pela abertura dos sigilos continua sem uma solução anunciada, enquanto os dois candidatos mantêm cobranças públicas de transparência.










