O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) solicitou, nesta terça-feira (20), ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acesso aos documentos de um novo inquérito que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, apontado como amigo do parlamentar.
O procedimento tramita sob sigilo e ganhou repercussão na reta final das eleições presidenciais, a cinco dias do segundo turno, marcado para domingo (25).
Segundo informações divulgadas pelo jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil, integrantes da campanha de Flávio demonstraram preocupação com a velocidade de tramitação do caso e com a possibilidade de decisões judiciais antes da votação.
O que está sendo investigado?
A investigação conduzida pela Polícia Federal apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, que possui relações pessoais e profissionais com figuras políticas do Rio de Janeiro.
Tomaz obteve autorização para atuar no setor de apostas durante o governo de Cláudio Castro, por meio de uma empresa ligada ao segmento de loterias.
De acordo com as informações divulgadas pela imprensa, o nome de Flávio Bolsonaro teria aparecido em mensagens trocadas com o advogado, circunstância que levou o caso ao Supremo Tribunal Federal.
A investigação busca esclarecer possíveis movimentações financeiras irregulares e a natureza das relações entre os envolvidos.
Campanha questiona rapidez do processo
Segundo a CNN Brasil, integrantes da equipe de Flávio Bolsonaro consideram incomum a velocidade com que o inquérito avançou.
Conforme as informações obtidas pela emissora junto à campanha, o procedimento chegou ao STF em 8 de outubro e foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes no dia 16.
A Procuradoria-Geral da República apresentou parecer favorável à abertura da investigação, conforme apuração da CNN.
Entretanto, devido ao sigilo processual, não é possível confirmar publicamente todas as etapas do procedimento, tampouco se determinadas diligências já foram realizadas.
Aliados do candidato temem que uma eventual decisão judicial ainda nesta semana provoque repercussões políticas durante os últimos dias de campanha. Essa preocupação é uma avaliação de integrantes da equipe eleitoral e não significa que exista decisão desfavorável já tomada pelo ministro.
Defesa nega irregularidades
Integrantes da campanha afirmam que a relação entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz é de amizade e que o contato entre os dois não representa qualquer irregularidade.
Em manifestação divulgada à CNN, o advogado também negou envolvimento em atividades ilícitas, informou que solicitou acesso aos autos e declarou estar disposto a prestar esclarecimentos às autoridades.
Até o momento, não há informação de denúncia criminal apresentada ou condenação de Flávio Bolsonaro decorrente desse inquérito.
Investigação ocorre em momento decisivo da eleição
A abertura do procedimento acontece na semana que antecede o segundo turno das eleições presidenciais, disputado por Flávio Bolsonaro e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O caso amplia a atenção sobre investigações envolvendo os candidatos e pessoas próximas a eles, em um período marcado por acusações e cobranças de transparência financeira.
O pedido apresentado ao ministro Alexandre de Moraes busca permitir que a defesa de Flávio Bolsonaro conheça os elementos da investigação e acompanhe seus desdobramentos, observadas as limitações legais aplicáveis aos procedimentos sigilosos.
O fato de uma pessoa estar sendo investigada não significa que tenha cometido um crime. A eventual responsabilização depende da apuração das provas, do direito de defesa e das decisões judiciais cabíveis.










