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Folha de Notícias

Santa Helena completa 78 anos entre comemorações, crise do lixo, dificuldades financeiras e cobranças à Prefeitura

Santa Helena de Goiás completa 78 anos de emancipação política nesta terça-feira, 20 de outubro, em meio a um cenário que vai além das homenagens e comemorações. Enquanto a cidade celebra sua história de desenvolvimento e a contribuição de seus moradores, a administração municipal enfrenta questionamentos relacionados à prestação de serviços públicos, à gestão de resíduos e à situação financeira da Prefeitura.

Governada pelo prefeito Iris Martins Parreira, Santa Helena atravessou um ano marcado por denúncias que chegaram à Câmara Municipal, medidas judiciais envolvendo o antigo lixão e restrições administrativas estabelecidas pelo próprio Executivo para controlar despesas.

O contraste entre o aniversário e os problemas enfrentados pelo município levanta uma questão importante: o que a Prefeitura tem feito para transformar as dificuldades de 2026 em melhorias concretas para a população?

Crise do lixo chegou à Justiça

Um dos episódios mais preocupantes do ano envolve a gestão dos resíduos sólidos.

Em março, o Ministério Público de Goiás instaurou procedimento administrativo para apurar possíveis irregularidades relacionadas ao encerramento ambiental do antigo lixão e à destinação dos resíduos urbanos.

Em julho, após registros de incêndios na área, a Justiça concedeu liminar determinando que o município adotasse providências emergenciais para controlar os focos de fogo.

A decisão estabeleceu prazo de 48 horas para apresentação e início da execução de um plano emergencial, com medidas como utilização de máquinas, cobertura de resíduos com terra e monitoramento do local.

O problema passou a envolver não apenas a limpeza urbana, mas também preocupações ambientais e de saúde pública. 

Prefeito foi alvo de processo político-administrativo

A crise administrativa também chegou ao Legislativo municipal.

Em maio, a Câmara recebeu a Denúncia nº 01/2026, que resultou na formação de uma Comissão Processante contra o prefeito Iris Parreira.

Entre os questionamentos apresentados estavam supostas falhas na coleta de lixo, problemas no atendimento da rede municipal de saúde e dificuldades na manutenção da infraestrutura urbana.

A denúncia foi recebida por sete votos favoráveis e seis contrários, conforme documentos do procedimento.

Em defesa prévia, o prefeito contestou as acusações, sustentando que elas não apresentavam provas concretas suficientes e destacando medidas administrativas e investimentos realizados em serviços municipais.

A abertura do procedimento não representa condenação nem comprovação das irregularidades denunciadas. 

Saúde pública também foi alvo de reclamações

Em agosto, o Jornal Folha de Notícias publicou relatos de famílias que receberam mensagens da Secretaria Municipal de Saúde para agendamento de consultas e exames de pessoas que já haviam falecido.

Em um dos casos divulgados, o contato ocorreu aproximadamente três meses após a morte do paciente. Em outro, a família relatou que a autorização para um exame chegou quando o paciente já estava morto havia quase seis meses.

Os episódios levantaram questionamentos sobre a atualização dos cadastros, os prazos de agendamento e a organização do sistema municipal de regulação. A reportagem informou, na ocasião, que havia solicitado esclarecimentos à administração municipal. 

A Prefeitura, por outro lado, informou em sua prestação de contas do primeiro quadrimestre que destinou R$ 10,6 milhões às ações e serviços públicos de saúde no período, percentual acima do mínimo constitucional.

Os investimentos informados não eliminam a necessidade de esclarecer os problemas relatados e demonstrar como os recursos estão se refletindo na qualidade e na agilidade do atendimento. 

Prefeitura decretou contenção de gastos em 2026

Outro ponto de atenção é a situação financeira do município.

Em abril, o prefeito assinou o Decreto nº 151/2026, estabelecendo medidas de contenção, revisão e controle de despesas públicas.

O documento cita compromissos financeiros acumulados, incluindo aproximadamente R$ 2,9 milhões em passivos relativos ao Pasep e R$ 44,2 milhões em dívidas parceladas junto à Receita Federal, constituídas antes de 2025.

O decreto também menciona pagamentos decorrentes de operações de crédito e decisões judiciais, que comprometem parte da capacidade de investimento da administração.

Entre as medidas previstas estão restrições a novas contratações, revisão de contratos, limitação de despesas não essenciais e suspensão de determinados gastos com eventos e festividades, ressalvadas as exceções autorizadas. 

O cenário exige transparência sobre a situação atual das contas municipais, os resultados das medidas de economia e as prioridades estabelecidas pela Prefeitura.

Aniversário também deve ser momento de prestação de contas

Santa Helena de Goiás possui uma história construída pelo trabalho de seus moradores, pela força da agricultura, pelo comércio e pela contribuição de gerações que ajudaram a desenvolver o município.

Esse legado merece reconhecimento. Mas o aniversário da cidade também representa uma oportunidade para discutir o presente e cobrar planejamento para o futuro.

Os problemas registrados ao longo de 2026 tornam necessárias respostas sobre a regularização da destinação do lixo, a melhoria dos serviços de saúde, a recuperação da infraestrutura urbana e a capacidade financeira para realizar novos investimentos.

Celebrar Santa Helena também significa reconhecer que a população tem direito a serviços públicos de qualidade, transparência e respostas sobre os problemas da cidade.

As conquistas do município pertencem à sua população, e as dificuldades enfrentadas pela administração exigem acompanhamento, fiscalização e soluções.

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