Para muitas mulheres, a infecção urinária parece um problema que simplesmente vai e volta. A ardência ao urinar, a vontade constante de ir ao banheiro, a urgência e o desconforto na região inferior do abdome podem desaparecer após o tratamento, mas retornar semanas ou meses depois. Quando isso acontece repetidamente, porém, a solução pode não estar em tomar novamente o mesmo medicamento. Segundo o urologista Dr. João Pedro Marin, é fundamental entender por que os sintomas estão reaparecendo.
“Por que minha infecção urinária sempre volta?” é uma das perguntas que surgem entre pacientes que enfrentam episódios recorrentes. O primeiro passo, de acordo com o especialista, é confirmar se realmente se trata de uma infecção urinária.
Isso porque nem todo sintoma urinário significa necessariamente uma infecção. Ardência, urgência e aumento da frequência urinária também podem aparecer em diferentes condições. Por isso, principalmente quando os episódios são repetidos, é importante confirmar o diagnóstico e, quando indicado, realizar uma investigação complementar.
O tratamento repetido sem compreender a causa pode criar um ciclo de sintomas, uso de antibióticos e novas recorrências. “O mais importante é sair da lógica de simplesmente ‘tomar outro antibiótico’ e buscar entender por que aquilo está acontecendo”, explica Dr. João Pedro Marin.
Por que algumas mulheres sofrem mais com o problema?
A anatomia feminina é um dos fatores que ajudam a explicar a maior frequência das infecções urinárias entre as mulheres. No entanto, outros elementos também podem aumentar o risco, como atividade sexual, alterações hormonais, especialmente após a menopausa, algumas condições metabólicas e alterações do trato urinário.
O especialista também chama atenção para a existência de mitos relacionados ao problema. Nem toda mulher que apresenta infecção urinária precisa simplesmente aumentar o consumo de água e também não é correto atribuir todas as recorrências à falta de higiene.
“A avaliação deve ser individualizada”, destaca o urologista.
Quando os episódios acontecem repetidamente em determinado período, o quadro pode ser considerado uma infecção urinária recorrente. Nesses casos, o médico pode avaliar estratégias específicas de prevenção, considerando o perfil de cada paciente.
Fatores comportamentais, alterações hormonais, medicamentos e outras condições que favoreçam as recorrências podem fazer parte da investigação. Enquanto algumas mulheres conseguem reduzir significativamente os episódios com medidas simples, outras podem precisar de uma avaliação mais aprofundada.
Febre e dor lombar são sinais de alerta
Alguns sintomas exigem atenção médica rápida. Febre, calafrios, dor lombar importante, náuseas ou vômitos associados aos sintomas urinários podem indicar que a infecção não está restrita à bexiga.
Também merece investigação a mulher que apresenta sintomas urinários repetidos sem uma confirmação adequada de infecção.
Embora uma infecção urinária isolada possa acontecer, episódios recorrentes não precisam ser encarados como algo normal ou inevitável. A investigação dos fatores de risco, o tratamento adequado de cada episódio e a definição de estratégias de prevenção podem ajudar a reduzir novas ocorrências.
“Ter uma infecção urinária uma vez pode acontecer. Ter episódios recorrentes não significa que a mulher precise simplesmente se acostumar”, afirma Dr. João Pedro Marin, urologista.










