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Folha de Notícias

Kassio Nunes Marques pode voltar a julgar caso Master após eleições em meio a novas revelações sobre supostos vínculos com Vorcaro

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), sinalizou a interlocutores que pretende voltar a participar de processos relacionados ao caso Banco Master após o período eleitoral de 2026. A possibilidade inclui eventuais julgamentos sobre a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes e sobre a atuação de André Mendonça na condução do caso, atualmente sob relatoria do presidente do STF, Edson Fachin.

A possível mudança ocorre em meio a novas revelações de mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo reportagens publicadas nesta semana, os diálogos fazem referência a uma suposta “Turma do KN” e a um contrato de advocacia que poderia chegar a R$ 427 milhões, relacionado a ações envolvendo precatórios de interesse do banco. As iniciais “KN” são apontadas nas mensagens como uma possível referência a Nunes Marques, embora o ministro negue qualquer atuação indevida ou vínculo com Vorcaro.

Nunes Marques havia se declarado impedido de participar, em 15 de setembro, do julgamento no STF que analisava a possibilidade de abertura de investigação sobre Moraes. Na ocasião, o ministro justificou a decisão pelo fato de presidir o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e avaliou que a análise poderia produzir impactos no cenário político e eleitoral de 2026.

A decisão de se afastar do julgamento ocorreu justamente enquanto eram divulgadas mensagens que mencionavam o próprio Nunes Marques e pessoas próximas a ele. Entre os relatos divulgados estão referências a uma hospedagem em uma mansão no Rio de Janeiro que teria sido bancada por Vorcaro e a supostos pagamentos relacionados ao filho do ministro. Nunes Marques nega ter trocado mensagens com o banqueiro e afirma que não houve relação indevida.

Agora, segundo a informação divulgada pela imprensa, o ministro considera que o impedimento adotado por causa do período eleitoral pode ser temporário e avalia participar dos julgamentos depois das eleições. A possibilidade também alcançaria uma eventual análise de pedido para investigar Moraes e processos relacionados à atuação de Mendonça no caso Master.

O cenário ocorre em meio ao aumento da tensão interna no STF após a divulgação de mensagens atribuídas a Vorcaro envolvendo ministros, familiares e pessoas próximas ao Judiciário. Mendonça é atualmente responsável por medidas relacionadas ao material apreendido e sua atuação também passou a ser alvo de questionamentos e pedidos de investigação.

Nunes Marques nega as acusações e sustenta que não manteve comunicação com Vorcaro nem atuou para beneficiar o Banco Master. As novas mensagens e os contratos mencionados ainda são objeto de apuração, e as referências feitas nos diálogos não estabelecem, por si só, que o ministro tenha participado das negociações ou cometido irregularidades.

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