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Folha de Notícias

25 anos depois, o 11 de Setembro ainda assombra os Estados Unidos, e suas consequências continuam mudando o mundo

Vinte e cinco anos depois de quatro aviões sequestrados atingirem as Torres Gêmeas, o Pentágono e uma área rural da Pensilvânia, os Estados Unidos ainda convivem com as consequências de um dos episódios mais traumáticos de sua história. O 11 de Setembro não terminou quando as torres do World Trade Center desabaram em Nova York. O atentado mudou a política externa americana, transformou a segurança dos aeroportos, provocou guerras e deixou milhares de sobreviventes e socorristas enfrentando doenças decorrentes da exposição à poeira tóxica.

Nesta sexta-feira (11), os Estados Unidos realizam cerimônias para marcar os 25 anos dos ataques atribuídos à Al-Qaeda. Quase 3 mil pessoas morreram naquele dia, incluindo passageiros e tripulantes dos quatro aviões sequestrados, trabalhadores do World Trade Center, militares e agentes de segurança. A tragédia também atingiu diretamente centenas de bombeiros e policiais que participaram das operações de resgate.

O impacto, porém, ultrapassou em muito o número de mortos naquele 11 de setembro de 2001. A resposta americana deu início à chamada “guerra ao terror”, levou à invasão do Afeganistão e, posteriormente, à Guerra do Iraque, além de provocar uma expansão sem precedentes dos mecanismos de vigilância e segurança dentro e fora dos Estados Unidos. O Departamento de Segurança Interna americano também foi criado no contexto dessa transformação.

Um mundo diferente depois das Torres Gêmeas

Antes dos atentados, viajar de avião, atravessar fronteiras e lidar com mecanismos de segurança nos Estados Unidos fazia parte de uma realidade muito diferente. Depois do 11 de Setembro, procedimentos que hoje parecem comuns passaram a fazer parte da rotina de milhões de pessoas.

A segurança nos aeroportos foi reforçada, a vigilância estatal ganhou novas dimensões e o combate ao terrorismo passou a ocupar posição central na política internacional. Ao mesmo tempo, decisões tomadas em Washington após os ataques desencadearam conflitos que duraram anos e ajudaram a redesenhar o equilíbrio geopolítico mundial.

O legado também inclui uma discussão que permanece sem resposta definitiva: até onde governos podem avançar em nome da segurança sem comprometer direitos individuais? A expansão da vigilância, as prisões relacionadas à chamada guerra ao terror e a existência da prisão de Guantánamo continuam alimentando debates sobre liberdade, segurança e direitos humanos.

A tragédia que continuou matando

Um dos capítulos mais dolorosos do legado do 11 de Setembro apareceu justamente depois que as câmeras deixaram de mostrar a fumaça sobre Manhattan.

A poeira liberada pelo colapso das torres expôs sobreviventes, bombeiros, policiais, trabalhadores e voluntários a uma mistura de substâncias tóxicas. Ao longo dos anos, milhares desenvolveram doenças respiratórias, cânceres e outros problemas de saúde relacionados à exposição.

Dados divulgados em 2026 mostram a dimensão dessa consequência. Mais de 57 mil casos de câncer já foram reconhecidos entre pessoas afetadas, enquanto o Programa de Saúde do World Trade Center contabiliza cerca de 139,4 mil condições médicas relacionadas à exposição.

Estimativas também apontam que cerca de 9,7 mil sobreviventes e socorristas morreram, ao longo dos 25 anos seguintes, em decorrência de doenças associadas à exposição à poeira tóxica, número que supera em mais de duas vezes as 2.753 vítimas registradas nos ataques em Nova York.

O terrorismo mudou, mas não desapareceu

A expectativa de que a derrota de grandes organizações terroristas encerraria a ameaça também não se confirmou completamente. A Al-Qaeda perdeu parte significativa de sua capacidade, o Estado Islâmico sofreu derrotas territoriais e o Talibã voltou ao poder no Afeganistão após a retirada americana, em 2021.

Ainda assim, especialistas alertam que o terrorismo não desapareceu. A ameaça se tornou mais fragmentada e passou a conviver com novos riscos, incluindo o extremismo doméstico e o uso de tecnologias capazes de ampliar a capacidade de grupos violentos.

Ao completar 25 anos, o 11 de Setembro permanece, portanto, muito mais do que uma lembrança histórica. É um marco que divide duas eras e ajuda a explicar decisões políticas, conflitos militares, mudanças na segurança e feridas sociais que continuam abertas.

As Torres Gêmeas já não estão de pé. No lugar delas, existe um memorial onde nomes das vítimas são lembrados todos os anos. Mas a marca deixada por aquele dia permanece espalhada pelo mundo, na política internacional, nos aeroportos, nas guerras e, principalmente, na memória de quem sobreviveu para contar o que aconteceu.

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