O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (10) que considera “meio falso” o discurso de empresários que dizem que terão prejuízos com o fim do imposto sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecido como “taxa das blusinhas”. Durante uma cerimônia de sanção da lei oriunda de uma medida provisória assinada pelo governo, Lula classificou a medida como uma forma de “reparação” e “justiça” para os consumidores.
Segundo o presidente, a cobrança seria injusta diante da possibilidade de brasileiros que viajam ao exterior retornarem ao país com produtos de valores mais altos. Lula questionou a diferença de tratamento para quem realiza compras de menor valor em sites estrangeiros.
“Se a gente isenta quem compra (até) US$ 3 mil, por que não pode isentar quem compra até US$ 50? Qual o ganho que o Estado tem cobrando imposto de quem compra US$ 50? Eu acho que é meio falso o discurso dos empresários que dizem que vão ter prejuízo. Vamos deixar o tempo passar para ver quem está com a verdade”, afirmou.
Lula também defendeu que a medida beneficia principalmente consumidores de classe média que não costumam viajar para o exterior e, por isso, não têm acesso às mesmas possibilidades de compra.
“Estamos fazendo um reparo, dando às pessoas que não viajam de avião, que não podem comprar vinho, uísque, blusa de couro chique, que possam comprar uma coisinha menor”, declarou.
Na avaliação do presidente, o público beneficiado não seria necessariamente formado por pessoas de baixa renda. “Não é o pobre. A classe média compra isso”, disse Lula.
“O que estamos fazendo é justiça, uma reparação”, afirmou. Em seguida, questionou a necessidade da cobrança sobre compras de até US$ 50. “Por que tínhamos que taxar essa gente? Estamos fazendo justiça, deixando as pessoas continuarem comprando. É US$ 50, no máximo R$ 250.”
Lula também argumentou que o dinheiro gasto pelos consumidores em compras internacionais permanece em circulação na economia e poderia contribuir para a geração de empregos e oportunidades.
“É um dinheiro que se não fosse para essas pessoas ia para onde? Esse dinheiro está circulando no comércio, está gerando mais emprego, oportunidade de trabalho, está gerando benefício para as pessoas”, argumentou.
A avaliação, porém, é contestada pela dinâmica das compras internacionais. Grande parte dos produtos adquiridos em plataformas como AliExpress, Shopee e Shein é comercializada por empresas ou pessoas físicas estrangeiras, principalmente da Ásia, e posteriormente enviada e distribuída no Brasil. Dessa forma, embora haja movimentação em setores como transporte e logística, a fabricação, a confecção e parte da comercialização desses produtos não ocorre no mercado brasileiro, diferentemente do que acontece com produtos fabricados e vendidos por empresas instaladas no país.











