A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três primeiros meses do ano, segundo dados divulgados nesta terça-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com o mesmo período de 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 2%.
Com o resultado, o PIB chegou a R$ 3,4 trilhões entre abril e junho. No acumulado do primeiro semestre, a economia brasileira apresentou expansão de 1,9% em relação aos seis primeiros meses de 2025. Considerando os quatro trimestres encerrados em junho, o crescimento também foi de 1,9%.
O desempenho ocorre em um cenário no qual o mercado financeiro espera uma expansão um pouco menor para o conjunto de 2026. De acordo com o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (31), a projeção das instituições financeiras é de crescimento de 1,92% do PIB neste ano.
Agropecuária lidera crescimento entre os setores
Pela ótica da produção, a agropecuária foi o principal destaque do trimestre, com crescimento de 2,8% em relação ao primeiro trimestre. No acumulado de 12 meses, o setor registra alta de 6,2%.
A indústria também apresentou avanço, mas em ritmo mais moderado. O setor cresceu 0,1% entre o primeiro e o segundo trimestre e acumula alta de 1,4% em 12 meses. Dentro da indústria, o maior destaque foi a indústria extrativa, que registrou forte crescimento de 3,4% na comparação entre os dois trimestres.
Já o setor de serviços, responsável por uma parcela significativa da atividade econômica e do emprego no país, avançou 0,2% no segundo trimestre e acumula crescimento de 1,7% em 12 meses.
Entre as atividades de serviços, os maiores avanços foram registrados em informação e comunicação, com alta de 2,1%, e em transporte, armazenagem e correio, que cresceu 1,1%. As atividades imobiliárias tiveram alta de 0,2%, enquanto o comércio permaneceu estável no período.
Nem todos os segmentos, porém, apresentaram crescimento. Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social tiveram queda de 0,4%, enquanto as atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados recuaram 0,3%.
Investimentos avançam, mas famílias reduzem consumo
Outro dado de destaque foi o comportamento dos investimentos. A Formação Bruta de Capital Fixo, indicador utilizado para medir os investimentos realizados na economia, cresceu 1,2% no segundo trimestre.
Pela ótica da demanda, entretanto, o cenário foi desigual. O consumo do governo aumentou 0,4%, enquanto o consumo das famílias apresentou queda de 0,4% em relação ao primeiro trimestre.
No setor externo, as exportações recuaram 0,8%, enquanto as importações aumentaram 1,8% na comparação com os três primeiros meses de 2026.
O que é o PIB?
O Produto Interno Bruto é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos em determinada localidade durante um período. O indicador é utilizado para acompanhar o comportamento da economia e permite comparações entre países, estados e municípios.
O cálculo é realizado a partir de diferentes pesquisas sobre setores como indústria, comércio e serviços. Para evitar uma dupla contagem, são considerados os valores dos bens e serviços finais. Assim, quando o trigo é transformado em farinha e posteriormente em pão, por exemplo, o valor do trigo e da farinha já está incorporado no preço final do pão.
O PIB também considera os impostos incorporados aos preços dos bens e serviços que chegam ao consumidor.
Apesar de ser um dos principais indicadores utilizados para medir o tamanho e o desempenho de uma economia, o PIB não revela sozinho a qualidade de vida da população ou a distribuição de renda. Um país pode apresentar uma economia de grande porte e, ainda assim, ter desigualdade elevada ou indicadores sociais desfavoráveis.











