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Folha de Notícias

Médica alerta que diabetes gestacional nem sempre apresenta sintomas e pode causar sérias complicações 

O diabetes gestacional é uma das condições que mais exigem atenção durante o pré-natal. Embora, na maioria das vezes, não apresente sintomas, a doença pode provocar complicações para a mãe e para o bebê quando não é diagnosticada e tratada adequadamente. Segundo a médica Dra. Brunna Camargo, a condição é caracterizada pelo aumento da glicose no sangue identificado durante a gravidez e costuma surgir devido às alterações hormonais próprias da gestação.

De acordo com a especialista, “a placenta produz hormônios que aumentam naturalmente a resistência à insulina. O pâncreas precisa produzir mais insulina para manter a glicose normal. Quando não consegue compensar essa necessidade, a glicemia aumenta”. Por esse motivo, o acompanhamento durante o pré-natal é indispensável para identificar precocemente qualquer alteração.

A médica explica que alguns fatores aumentam as chances de desenvolver diabetes gestacional, como sobrepeso ou obesidade antes da gravidez, ganho excessivo de peso durante a gestação, histórico de diabetes gestacional em gravidez anterior, casos de diabetes tipo 2 na família, síndrome dos ovários policísticos, idade materna mais avançada, gestação anterior com bebê grande para a idade gestacional e pertencimento a grupos étnicos com maior predisposição à doença.

Apesar dos riscos, muitas mulheres não percebem sinais da condição. “Na maioria das vezes, o diabetes gestacional não causa sintomas. Quando a glicemia está muito elevada, podem aparecer sede excessiva, aumento da frequência urinária, cansaço e visão turva. Por isso, o rastreamento durante o pré-natal é fundamental”, destaca.

O diagnóstico é realizado por meio de exames laboratoriais. No Brasil, a recomendação é que seja feita a glicemia de jejum no início do pré-natal e, entre a 24ª e a 28ª semana de gestação, o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) com 75 gramas de glicose.

Sem controle adequado, a doença pode aumentar o risco de crescimento excessivo do bebê, parto traumático, hipoglicemia neonatal, icterícia, alterações respiratórias e necessidade de cuidados neonatais. Além disso, crianças nascidas de mães com diabetes gestacional apresentam maior probabilidade de desenvolver obesidade e alterações metabólicas ao longo da vida.

A alimentação desempenha papel fundamental no tratamento. Conforme explica Dra. Brunna Camargo, “a alimentação é uma das principais ferramentas de tratamento. O objetivo é evitar grandes elevações da glicose, mantendo refeições equilibradas, com carboidratos de boa qualidade e em quantidades adequadas, proteínas, fibras e gorduras saudáveis. A distribuição dos carboidratos ao longo do dia também é importante”.

A especialista ressalta ainda que nem todas as gestantes diagnosticadas com diabetes precisam utilizar insulina. Em muitos casos, a glicemia pode ser controlada com alimentação adequada, prática de atividade física quando autorizada pelo obstetra e acompanhamento médico. Entretanto, quando essas medidas não atingem as metas glicêmicas, a insulina passa a ser o tratamento farmacológico de escolha durante a gravidez.

Após o nascimento do bebê, a glicemia costuma voltar ao normal na maioria das mulheres. No entanto, o histórico de diabetes gestacional aumenta significativamente o risco de desenvolvimento do diabetes tipo 2 no futuro, tornando indispensável a realização de exames periódicos e a manutenção de hábitos saudáveis, como controle do peso, alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, amamentação sempre que possível e acompanhamento contínuo da glicemia.

Para a médica, o principal recado é de conscientização. “Diabetes gestacional não é motivo para pânico, mas precisa ser identificado e acompanhado. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, é possível reduzir bastante os riscos para a mãe e para o bebê.”

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