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Folha de Notícias

Lenda da música country, Dolly Parton morre aos 80 anos e deixa legado de mais de seis décadas

A música mundial perdeu nesta terça-feira (25) uma de suas maiores lendas. Dolly Parton, cantora, compositora, atriz e empresária conhecida como a “rainha da música country”, morreu aos 80 anos. A morte foi confirmada pela família em um vídeo publicado nas redes sociais da artista. A causa da morte não foi divulgada.

O anúncio foi feito por Bryan Seaver, sobrinho de Dolly e responsável pela segurança da cantora há mais de duas décadas. Segundo ele, a própria artista havia pedido, anos atrás, que o familiar fosse responsável por comunicar sua morte quando o momento chegasse.

“Esse anúncio em vídeo é algo que Dolly me pediu há anos, antes que eu tivesse absorvido totalmente como uma realidade no futuro”, disse Seaver.

Em um discurso marcado pela emoção, o sobrinho afirmou que a família deve guardar a tristeza, enquanto Dolly teria partido em paz. “A tristeza fica conosco, não com a Dolly. Dolly viveu na luz e está nos braços de Jesus, com certeza, ao lado de Carl [Thomas Dean, seu marido, que morreu em 2025], seus pais e incontáveis outros que a assistiram e que queriam encontrá-la nos céus.”

Seaver também destacou o impacto que a artista teve sobre diferentes gerações e profissões dentro do entretenimento. “Dolly também abriu as portas para gerações de cantores, compositores, músicos e sonhadores de todos os campos da vida e de todos os continentes. Com seu exemplo, nós acreditamos que tudo era possível. Ela nunca viu uma porta que não pudesse abrir, e as portas que ela abriu fizeram e mudaram a história.”

Uma trajetória que começou na pobreza e conquistou o mundo

Nascida em 19 de janeiro de 1946, no Tennessee, Dolly Parton cresceu em uma família pobre e numerosa. Ela era a quarta de 12 filhos e passou a infância em uma pequena casa sem água encanada ou eletricidade. A música entrou cedo em sua vida por influência da mãe, que ensinava aos filhos hinos religiosos e canções folclóricas.

Ainda criança, Dolly começou a se apresentar em programas de rádio e, em 1959, lançou seu primeiro compacto. O grande salto profissional veio em 1967, quando foi contratada para participar do programa de televisão do cantor Porter Wagoner. A parceria rendeu sucessos em dueto, mas a carreira solo da cantora rapidamente ganhou força.

Em 1974, ao deixar o programa para seguir seu próprio caminho, Dolly compôs “I Will Always Love You” como uma despedida para Wagoner. A música alcançou o topo das paradas country e, anos mais tarde, tornou-se um fenômeno mundial na voz de Whitney Houston.

Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Parton escreveu cerca de 3 mil músicas e teve suas composições gravadas por grandes nomes da música. Suas letras frequentemente transformavam experiências pessoais e questões sociais em histórias acessíveis ao público, como em “Coat of Many Colors”, sobre sua infância pobre, “Down From Dover”, que aborda a gravidez na adolescência, e “9 to 5”, crítica ao machismo e às dificuldades enfrentadas por mulheres no ambiente de trabalho.

De “Jolene” a Hollywood: Dolly virou um fenômeno mundial

Embora tenha construído sua carreira no country, Dolly Parton ultrapassou as fronteiras do gênero e se tornou uma das figuras mais reconhecidas da cultura popular americana. Sua voz marcante, as famosas perucas loiras e os figurinos extravagantes ajudaram a construir uma imagem que se tornou imediatamente identificável em todo o mundo.

Entre seus grandes sucessos estão “Jolene”, “9 to 5” e “Islands in the Stream”, parceria com Kenny Rogers. Ela também se destacou no projeto “Trio”, ao lado de Emmylou Harris e Linda Ronstadt.

No cinema, Dolly estrelou produções como “9 to 5”, ao lado de Jane Fonda e Lily Tomlin, e “Steel Magnolias”. Paralelamente, construiu um império empresarial no Tennessee com o parque temático Dollywood e ampliou sua atuação para a televisão e outros setores do entretenimento.

Reconhecida como uma das artistas mais influentes da história da música americana, Parton foi incluída nos Halls da Fama da Música Country e do Rock & Roll e recebeu 11 prêmios Grammy ao longo da carreira. Também acumulou indicações a grandes premiações do cinema, da televisão e do teatro.

Problemas de saúde marcaram os últimos meses

A morte de Dolly acontece após um período de dificuldades pessoais e problemas de saúde. A cantora enfrentava uma fase delicada desde a morte do marido, Carl Dean, em março de 2025, após quase seis décadas de casamento.

Em entrevista recente à revista People, publicada dias antes de sua morte, Dolly afirmou que havia deixado os próprios problemas de lado enquanto cuidava do marido. “não prestou atenção [aos próprios problemas]”, disse ao falar daquele período.

Apesar das dificuldades, a artista havia declarado que pretendia continuar trabalhando. “Mas ainda estou trabalhando e há muitas coisas que eu ainda quero conquistar”, acrescentou.

Pouco antes da morte, Dolly também havia cancelado uma residência de shows após enfrentar problemas de saúde. Em uma atualização recente, chegou a falar sobre as dificuldades enfrentadas nos últimos meses.

Um legado que vai muito além da música

Além dos milhões de discos vendidos e das milhares de composições, Dolly Parton construiu uma das trajetórias filantrópicas mais marcantes do entretenimento. Em 1995, criou a Imagination Library, iniciativa dedicada à distribuição de livros para crianças e à promoção da alfabetização. O projeto já distribuiu centenas de milhões de livros.

Dolly também apoiou pesquisas científicas, educação e projetos voltados às comunidades de sua região natal. Sua atuação social ajudou a consolidar uma imagem pública que ultrapassava a música e alcançava diferentes gerações.

Com sua morte, desaparece uma artista que conseguiu transformar uma infância marcada pela pobreza em uma das carreiras mais extraordinárias da história do entretenimento. Dolly Parton deixa sucessos que atravessaram décadas, personagens que marcaram o cinema, negócios que se tornaram símbolos do Tennessee e uma obra que influenciou artistas em todo o mundo.

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