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Folha de Notícias

Promotor classifica cárcere e violência contra jovem em Águas Lindas como um dos crimes mais estarrecedores dos últimos anos

O promotor de Justiça do Ministério Público de Goiás (MPGO), Luís Gustavo, classificou como “um dos crimes que mais me estarreceram nos últimos anos” o caso envolvendo Ailton Rodrigues de Souza, acusado de sequestrar, manter em cárcere privado, acorrentar, amordaçar e violentar sexualmente a ex-esposa, Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, em Águas Lindas de Goiás. A declaração foi feita durante a audiência de custódia realizada no último sábado (22), ocasião em que a Justiça converteu a prisão em flagrante do investigado em prisão preventiva.

Ao justificar a gravidade do caso, o promotor destacou a crueldade das ações atribuídas ao suspeito e o sofrimento imposto à vítima.

“Esse é um dos crimes que mais me estarreceram nos últimos anos, em razão da gravidade, em razão da maldade, em razão dos males físicos e psicológicos que foram suportados pela vítima. Aqui são diversos crimes, crimes de cárcere privado, crime de estupro de vulnerável, crimes do estatuto do desarmamento, ameaça, uma situação que realmente nos causa preocupação, comoção e perplexidade”, afirmou.

Luís Gustavo também revelou que a vítima já havia buscado proteção contra o ex-companheiro antes do crime, mas os pedidos de medidas protetivas foram indeferidos pelo Poder Judiciário.

“Olha o escalonamento desses atos de violência. Segundo consta, a vítima teria ficado em cárcere privado por aproximadamente cinco dias, do dia 17 de agosto ao dia 21 de agosto, amarrada, amordaçada, com utilização de substâncias químicas para que a vítima fosse sedada, sendo submetida a agressões físicas e a violências sexuais”, acrescentou.

Emiliane estava desaparecida desde o dia 17 de agosto, quando saiu de casa para uma consulta médica e não retornou. Na ocasião, ela estava na região da Morada da Serra e utilizou um mototáxi para chegar à clínica localizada na Barragem 1. Câmeras de segurança registraram o momento em que ela deixou o estabelecimento, sendo esta a última imagem da jovem antes do desaparecimento.

Segundo a Polícia Militar de Goiás (PMGO), após sair da clínica, a vítima foi sequestrada pelo ex-companheiro e levada para um cativeiro, onde permaneceu sedada e em cárcere privado por cinco dias.

O resgate aconteceu na última sexta-feira (21), durante uma ação da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) Entorno Oeste. Os policiais chegaram até a vítima após abordarem o ex-companheiro em via pública. Conforme a corporação, ele tentou fugir e resistiu à prisão. A partir da análise de endereços ligados ao suspeito, os militares localizaram o imóvel onde Emiliane era mantida.

No local, a mulher foi encontrada presa com algemas, cordas e uma corrente de ferro. Ela também estava com o rosto coberto por uma máscara e amordaçada, numa tentativa de impedir que vizinhos ouvissem seus pedidos de socorro. Após ser resgatada, a vítima relatou à polícia que foi estuprada diversas vezes durante o período em que permaneceu em poder do ex-marido.

Durante as buscas, os policiais apreenderam um veículo, uma arma de fogo, algemas, cordas, correntes e substâncias sedativas utilizadas, segundo a investigação, para manter a vítima dopada.

Na audiência de custódia, Ailton afirmou possuir registro de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC), mas negou ter utilizado a arma para ameaçar ou sequestrar a ex-esposa. “Eu sou CAC, mas eu não fiz o uso da arma. A arma estava guardada”, declarou.

O investigado também disse não possuir antecedentes criminais. Questionado pelo magistrado, afirmou que não foi agredido durante a prisão, embora tenha alegado ter sido ameaçado pelos policiais. Além disso, informou fazer uso de calmantes para dormir devido a crises nervosas.

A Polícia Civil de Goiás segue investigando o caso para apurar todas as circunstâncias dos crimes atribuídos ao suspeito.

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