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Tontura não é só labirintite, explica especialista

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A tontura, embora muitas vezes tratada como algo passageiro, é um sintoma que pode esconder condições sérias e impactar diretamente a qualidade de vida. Estima-se que entre 30% e 35% da população brasileira enfrente episódios de tontura em algum momento da vida, segundo dados da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em entrevista exclusiva ao jornal, a Dra. Vanessa explicou as diferenças entre tontura, vertigem e desequilíbrio, as principais causas e as formas de tratamento mais eficazes.

De acordo com a especialista, é essencial compreender que tontura, vertigem e desequilíbrio não são a mesma coisa, embora sejam frequentemente usados como sinônimos. “A vertigem é o que chamamos de ilusão do movimento corporal, é a sensação de que o ambiente está girando ao redor da pessoa. Já a tontura é uma alteração na orientação espacial, em que o paciente sente o corpo flutuar ou o chão se mover. O desequilíbrio, por outro lado, está diretamente ligado à marcha, quando o indivíduo tem dificuldade para andar em linha reta ou tende a cair para um dos lados”, explica a médica.

Entre as principais causas da tontura, destacam-se as de origem vestibular, ligadas ao labirinto, estrutura do ouvido interno responsável pelo equilíbrio. A mais frequente é a Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB), também chamada de tontura dos cristais. “Essa condição ocorre quando pequenos cristais presentes no labirinto se deslocam e passam a se mover livremente dentro do líquido do ouvido interno. A cada movimento da cabeça, esses cristais mudam de posição, provocando a sensação intensa de tontura”, detalha Dra. Vanessa.

Nos últimos anos, outra causa tem ganhado destaque entre os especialistas: a migrânea vestibular, uma forma de enxaqueca que afeta diretamente o labirinto. “É como se fosse uma crise de enxaqueca, mas com o sintoma principal voltado para o equilíbrio. Ela pode causar tontura, náusea e desconforto sem necessariamente vir acompanhada de dor de cabeça”, complementa.

A médica explica que o equilíbrio corporal depende de três pilares fundamentais: o sistema visual, o sistema proprioceptivo (ligado aos músculos e articulações) e o sistema vestibular (localizado no ouvido interno). Quando qualquer um desses sistemas apresenta falhas, surgem as crises de tontura.

Outro fator importante é o impacto do estresse e da ansiedade, que podem tanto desencadear quanto agravar os episódios. “O estresse raramente é a única causa, mas ele favorece o aparecimento das crises, especialmente em pessoas com predisposição, como quem sofre de migrânia vestibular. Além disso, a própria tontura pode deixar o paciente ansioso, gerando um ciclo de insegurança e desconforto”, afirma a especialista.

Embora muitas causas sejam benignas, a tontura pode ser sinal de doenças neurológicas mais graves. Por isso, é essencial ficar atento a sintomas associados. “Quando a tontura vem acompanhada de fraqueza muscular, desvio da boca, paralisia facial, visão dupla ou dor de cabeça muito intensa e repentina, o paciente deve procurar atendimento médico imediatamente”, alerta a médica. 

O diagnóstico costuma começar pela avaliação clínica detalhada, na qual o médico investiga o histórico do paciente e realiza o exame físico. Dependendo do caso, são solicitados exames complementares, como a vectonistagmografia, que avalia o funcionamento do labirinto, ou ressonância magnética do crânio, para descartar causas neurológicas.

Quanto ao tratamento, a especialista explica que ele é sempre direcionado à origem do problema. “Pacientes com VPPB passam por manobras específicas que reposicionam os cristais no labirinto. Já aqueles com migrânia vestibular precisam de controle da enxaqueca. Em casos de inflamação do nervo do labirinto, tratamos com medicamentos anti-inflamatórios”, diz.

Alguns pacientes também se beneficiam da reabilitação vestibular, um conjunto de exercícios que “reeduca” o labirinto e ajuda o cérebro a se readaptar ao equilíbrio. Em situações associadas a problemas musculares, auditivos ou posturais, podem ser indicadas fisioterapia, uso de aparelhos auditivos ou outras terapias complementares.

“Cada diagnóstico tem um tratamento específico. Alguns respondem rapidamente, outros exigem acompanhamento contínuo. O importante é nunca ignorar o sintoma nem recorrer à automedicação”, reforça.

A médica conclui destacando que, apesar de comum, a tontura deve sempre ser investigada: “Ela pode parecer algo simples, mas pode indicar uma condição que merece atenção. O diagnóstico correto é o primeiro passo para o tratamento eficaz e para que o paciente recupere sua qualidade de vida.”

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