A comunicação digital deixou de ser apenas entretenimento para se consolidar como uma ferramenta estratégica de posicionamento profissional, valorização do agronegócio e geração de negócios. Essa foi a principal mensagem do painel “O novo marketing do agro nas redes”, apresentado na tarde desta terça-feira (7), no Auditório 1, por João Castro, conhecido como “Jão”, e Eduardo Palhares, o “Seu Duardo”, criadores do perfil Primos Agro.
Diante de um público formado majoritariamente por estudantes de Agronomia, Medicina Veterinária e Zootecnia, os engenheiros agrônomos e produtores rurais defenderam que a presença digital já é uma competência indispensável para quem deseja se destacar no mercado de trabalho e fortalecer a imagem do setor.
Segundo João Castro, a comunicação nas redes é essencial para combater a desinformação e ampliar a representatividade do campo. Para ele, deixar de comunicar é abrir espaço para narrativas distorcidas sobre o agronegócio. “Muitas vezes reclamamos do que os outros falam de nós, mas não estamos comunicando direito a nossa defesa. Se você tem um conhecimento ou uma empresa e não comunica, você está perdendo a oportunidade de representar o setor que movimenta o PIB do país”, afirmou.
De encontros informais ao sucesso empresarial
A história dos Primos Agro foi apresentada como exemplo de como a influência digital pode gerar resultados concretos fora do ambiente virtual. O projeto nasceu a partir de encontros informais realizados às terças-feiras, que a dupla apelidou de “mastermind”, e evoluiu para a criação do Grupo Primos Agro.
Hoje, o negócio reúne ações de publicidade, loja própria e até o desenvolvimento de uma Inteligência Artificial exclusiva voltada ao agronegócio, consolidando a marca como referência no segmento.
Eduardo Palhares destacou que o crescimento não aconteceu de forma imediata e exigiu planejamento, constância e preparação. Segundo ele, a dupla passou meses treinando antes de lançar oficialmente o perfil ao público, em 2022. Mesmo após a estreia, foram necessários dez meses para alcançar os primeiros mil seguidores.
“O sucesso consistente na internet não vem do nada, por um acaso. No nosso caso, passamos meses treinando antes de abrir a conta ao público, em 2022. Depois disso, levamos dez meses para conquistar os primeiros mil seguidores”, relembrou.
O influenciador ressaltou ainda que o posicionamento nas redes sociais se transformou em oportunidade real de negócios, inclusive no campo. “Hoje, o nosso trabalho nas redes sociais nos permite colher soja e cana utilizando parcerias estratégicas. Não colhemos com as máquinas do meu pai ou do pai do João; é tudo fruto do trabalho de posicionamento que fizemos”, afirmou.
Humor, informação e impacto social
Além do crescimento profissional, a dupla chamou atenção para o impacto humano do conteúdo produzido. Segundo os palestrantes, a combinação entre humor e informação tem contribuído para fortalecer a autoestima e a identificação de profissionais do setor.
“Já recebemos mensagens de pessoas dizendo que nossos vídeos as ajudaram a sair da depressão. Isso é sobre representatividade. O produtor e o agrônomo precisam se sentir vistos e valorizados através do humor e da informação”, destacaram.
Estratégia para quem quer começar
Durante a palestra, os criadores compartilharam orientações para estudantes e profissionais que desejam iniciar na produção de conteúdo. Entre as principais dicas, está a importância de compreender o funcionamento do algoritmo e investir na retenção de atenção nos primeiros segundos dos vídeos.
Eduardo destacou ainda o potencial econômico do setor, afirmando que o mercado de influenciadores deve movimentar trilhões de reais até 2027, tornando-se uma vitrine estratégica para quem busca espaço no mercado.
“O novo marketing não parece marketing. Nós entregamos entretenimento e o público nos entrega a visualização e o like. É uma troca de valor”, explicou.
Ao final da apresentação, os Primos Agro reforçaram que a influência digital é uma tendência irreversível e que profissionais recém-formados que dominarem a habilidade de gravar, comunicar e se posicionar terão vantagem competitiva nas contratações das grandes empresas do agronegócio.











