A cobrança de pedágio em trechos da BR-153 que cortam Goiás começa no próximo dia 26 de março e já provoca indignação entre motoristas e caminhoneiros que utilizam a via diariamente. Autorizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a medida atinge inicialmente duas praças instaladas nos municípios de Piracanjuba e Itumbiara, com tarifas que variam conforme o tipo de veículo e podem ultrapassar R$ 100 para caminhões de grande porte.
Para veículos de passeio, os valores definidos são de R$ 15,60 em Piracanjuba e R$ 14,90 em Itumbiara. Já caminhões leves, ônibus e tratores pagarão R$ 31,20 e R$ 29,80, respectivamente. Nos casos de veículos com mais eixos, como caminhões articulados, as tarifas aumentam progressivamente e podem chegar a R$ 124,80, dependendo da configuração.
A cobrança faz parte do contrato de concessão do trecho administrado pela Way-153, responsável pela gestão da parte sul da rodovia em Goiás. Além das duas praças no estado, outras três também entram em operação em Minas Gerais, nos municípios de Prata, Fronteira e Campo Florido, ao longo do trecho que vai de Hidrolândia até a região de Uberaba.
O anúncio oficial das tarifas foi feito na última segunda-feira (16) pela concessionária, e chamou atenção pelo aumento significativo nos valores, que, segundo usuários da rodovia, praticamente dobraram em alguns casos. A reação negativa foi imediata, principalmente entre caminhoneiros que dependem da BR-153 para o transporte de cargas.
Relatos apontam preocupação com o impacto financeiro e, principalmente, com a qualidade da infraestrutura. Caminhoneiros afirmam que o custo elevado não condiz com as condições atuais da rodovia, marcada por buracos e alto índice de acidentes. A precariedade do asfalto e a falta de manutenção são apontadas como problemas recorrentes, aumentando o desgaste dos veículos e o risco nas viagens.
Apesar das críticas, a concessionária defende que a cobrança está prevista em contrato e integra um plano robusto de investimentos. Ao longo de 30 anos, estão previstos mais de R$ 10 bilhões para melhorias no trecho concedido. Entre as intervenções anunciadas estão a recuperação emergencial do pavimento, requalificação das pistas, nova sinalização, roçagem da vegetação e ampliação da capacidade da rodovia.
O projeto inclui ainda 42 quilômetros de duplicação, 31,8 quilômetros de faixas adicionais e a construção de passarelas, acessos, pontos de ônibus e passagens de fauna. Segundo a empresa, as obras têm como objetivo aumentar a segurança e a eficiência de um dos principais corredores logísticos do país, fundamental para o escoamento da produção agropecuária.











