O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (16) a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da Superintendência da Polícia Federal para uma cela especial na chamada Papudinha, área reservada do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
A decisão ocorre após reiteradas reclamações da família e da defesa de Bolsonaro, que classificavam a permanência do ex-mandatário na Polícia Federal como uma espécie de “tortura” e pressionavam pela concessão de prisão domiciliar, alegando problemas de saúde.
Embora tenha afirmado que não há veracidade nas acusações feitas por aliados, Moraes destacou que a transferência permitiria condições “ainda mais favoráveis” ao ex-presidente, atendendo de forma mais ampla às solicitações da defesa.
Cela maior
A nova acomodação tem 64,83 m², quase seis vezes maior do que os 12 m² da sala de Estado-Maior onde Bolsonaro estava detido desde novembro de 2025. Diferente do espaço anterior, que contava com banheiro, cama, mesa, televisão, frigobar e cadeira, a cela na Papudinha possui ambientes separados, incluindo:
- Quarto
- Sala
- Banheiro com chuveiro de água quente
- Cozinha
- Lavanderia
O local dispõe ainda de cama de casal, geladeira, armários e televisão. A cozinha permitirá que Bolsonaro prepare e armazene a própria alimentação, em razão de uma dieta específica recomendada por médicos, devido a complicações de saúde relacionadas à facada sofrida durante a campanha eleitoral de 2018.
Banho de sol, visitas ampliadas e atendimento religioso
Além da área interna, a cela conta com um espaço externo de 10,07 m², possibilitando banhos de sol diários com total privacidade, sem necessidade de agendamento prévio.
O ministro também autorizou a liberação permanente de visitas da esposa, Michelle Bolsonaro, e dos filhos Carlos, Flávio, Jair Renan e Laura Bolsonaro, além da enteada Letícia da Silva. Com isso, os familiares não precisarão mais solicitar autorização judicial para visitar o ex-presidente. As visitas poderão ocorrer tanto na área interna quanto na externa, ambas equipadas com mesas e cadeiras.
Outro pedido atendido foi o de assistência religiosa semanal, autorizado formalmente na decisão.
Saúde
Desde a prisão de Bolsonaro, em 22 de novembro, a defesa vinha alegando a necessidade de cuidados médicos mais intensos. Moraes destacou que a transferência facilita o atendimento à saúde do ex-presidente, já que o complexo dispõe de um posto médico completo, com:
- Dois médicos clínicos
- Um psiquiatra
- Três enfermeiros
- Dois dentistas
- Dois psicólogos
- Um fisioterapeuta
- Técnicos de enfermagem
- Assistente social e farmacêutico
O ministro também autorizou a instalação de equipamentos de fisioterapia, além de grades de proteção na cama e barras de apoio na cela, para evitar acidentes, medida tomada após a queda sofrida por Bolsonaro na Superintendência da PF, em 6 de janeiro.
Status da prisão
Apesar das melhorias, Moraes ressaltou que a transferência não altera o regime de prisão, nem representa concessão de privilégios indevidos, mas sim o atendimento a critérios técnicos, médicos e de segurança.











