Em meio à análise do cenário político e econômico do Brasil e do mundo, o economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, destacou a capacidade de recuperação da economia brasileira nos últimos anos, com protagonismo decisivo do agronegócio. Considerado uma das principais referências do país em contas públicas, Almeida afirmou, durante palestra, que o Brasil viveu um ciclo de crescimento acima das projeções do mercado, mesmo diante de desafios recentes como a crise econômica e a pandemia.
Ao relembrar o histórico recente, o economista ressaltou que o país enfrentou, em 2015 e 2016, uma das fases mais críticas de sua história econômica, marcada por dois anos consecutivos de retração do Produto Interno Bruto (PIB), situação incomum no cenário brasileiro. Segundo ele, o período foi agravado por dificuldades em setores estratégicos, como petróleo, energia e mercado imobiliário, aprofundando a instabilidade econômica nacional.
A partir de 2021, no entanto, o país iniciou uma trajetória de recuperação robusta. De acordo com os dados apresentados por Almeida, o Brasil registrou crescimento de 4,8% em 2021, seguido por 3% em 2022, 3,2% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025, mesmo em um contexto de juros elevados. Para o economista, o desempenho superou as expectativas do setor produtivo e demonstrou maior resiliência da economia nacional.
Entre os principais fatores que explicam esse resultado, Mansueto apontou o impacto das reformas econômicas implementadas nos últimos anos e, sobretudo, o papel estratégico do agronegócio. Segundo ele, o setor foi essencial para sustentar o crescimento, com expansão superior a 11% em 2025 e influência direta sobre a atividade econômica do país.
O economista também classificou o agronegócio brasileiro como um caso consolidado de sucesso ao longo das últimas décadas. Conforme destacou, trata-se do único segmento da economia nacional que manteve, nos últimos 30 anos, crescimento consistente de produtividade acima de 3% ao ano, resultado diretamente associado à incorporação de tecnologia no campo.
Da seleção genética de sementes à correção de solo, passando por sistemas de irrigação e processos de colheita, Almeida enfatizou que a agricultura brasileira se tornou intensiva em inovação, fator determinante para o salto de produtividade observado no setor.
Os números apresentados reforçam esse avanço. Em aproximadamente duas décadas, a produção de grãos no Brasil saiu de cerca de 100 milhões para aproximadamente 350 milhões de toneladas, consolidando o país como uma potência global do agronegócio.
Para os próximos anos, a perspectiva permanece positiva. A expectativa, segundo o economista, é de uma safra semelhante ou até superior à do último ciclo, além da existência de amplo espaço para expansão do setor. ““A boa notícia é que o agro brasileiro ainda tem muito potencial para crescer”, concluiu.











